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Grupo ligado a Vorcaro acessava dados da PF e até do FBI

Apuração da Polícia Federal aponta que estrutura clandestina monitorava autoridades, jornalistas e críticos do grupo

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Grupo ligado a Vorcaro acessava dados da PF e até do FBI
Foto: Divulgação - Arquivo / Redes Sociais

A Polícia Federal identificou que um grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acessou indevidamente dados sigilosos de órgãos brasileiros e estrangeiros, incluindo a própria PF, o Ministério Público Federal, a Interpol e até o FBI. A informação veio à tona nesta quarta-feira (04), após decisão do Supremo Tribunal Federal que autorizou medidas judiciais dentro da investigação. O inquérito aponta que integrantes da estrutura buscavam essas informações para monitorar adversários e proteger interesses do grupo econômico.

A investigação ganhou força depois que os agentes encontraram evidências de acessos irregulares a sistemas restritos. A partir daí, os investigadores reconstruíram a atuação do grupo e passaram a rastrear como os dados eram obtidos e utilizados.

Acesso indevido a sistemas sigilosos

Segundo os investigadores, o operador do esquema era Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão. Ele consultava sistemas internos usados por órgãos de investigação e segurança pública. Para isso, utilizava credenciais funcionais de terceiros. Assim, conseguia entrar em bancos de dados protegidos por sigilo institucional.

Com essas credenciais, Mourão acessava registros da Polícia Federal, informações do Ministério Público Federal e até bases ligadas a organismos internacionais. Além disso, também conseguia visualizar dados vinculados a investigações e registros policiais.

Em seguida, ele repassava as informações para integrantes do grupo. Com esses dados em mãos, os envolvidos analisavam cenários, identificavam riscos e tomavam decisões estratégicas.

Monitoramento de autoridades e jornalistas

A investigação também indica que o grupo utilizava as informações para monitorar pessoas consideradas críticas ao banco ou ao empresário. Entre os possíveis alvos estavam autoridades públicas, investigadores e jornalistas.

Além disso, os investigadores afirmam que integrantes do grupo tentavam remover conteúdos da internet. Para alcançar esse objetivo, enviavam comunicações que simulavam pedidos oficiais de órgãos públicos. Com essa estratégia, buscavam pressionar plataformas digitais a retirar publicações consideradas prejudiciais.

Ao mesmo tempo, o grupo também acompanhava movimentações de pessoas envolvidas em investigações relacionadas ao banco. Assim, tentava antecipar possíveis medidas judiciais ou diligências policiais.

Pagamento milionário pelo serviço

De acordo com a investigação, Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês pelos serviços prestados. Os pagamentos, segundo a Polícia Federal, ocorriam por intermédio do empresário Fabiano Zettel.

Além disso, mensagens encontradas em celulares e aplicativos de conversa ajudaram os investigadores a reconstruir a dinâmica financeira do esquema. Os registros mostram conversas sobre pagamentos, divisão de tarefas e acesso a sistemas.

Defesa nega irregularidades

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário sempre colaborou com as autoridades e negou qualquer tentativa de interferir nas investigações. Os advogados também disseram confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo do processo.

Enquanto isso, a Polícia Federal continua analisando documentos, registros digitais e mensagens apreendidas. Com base nesse material, os investigadores buscam identificar a extensão do esquema e verificar se outras pessoas participaram da operação.

O caso ainda está em fase de apuração e pode gerar novos desdobramentos nos próximos meses.

Redação Guararema News

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