
No domingo (15), a orientação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em Brasília, que determina que ministros e autoridades evitem falar publicamente sobre a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). E a investigação sobre o Banco Master. A medida foi adotada pelo ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, porque o Planalto busca proteger o Executivo de ser arrastado para o centro do impasse entre Poderes. O que tem elevado a tensão política e gerado desgaste desnecessário nas relações entre instituições.
Governo busca controlar narrativa e minimizar ruído
O Palácio do Planalto entendeu que o conflito entre STF e Polícia Federal ganhou repercussão exagerada. E por isso a estratégia é clara, direta, e focada: evitar pronunciamentos que ampliem a crise, ou que vinculem a gestão federal ao embate institucional. Em vez de criticar o STF ou dar declarações voláteis nas redes sociais, a orientação interna é enfatizar temas da administração e acalmar os ânimos. Assim, comunicação oficial tem de ser cuidadosa, coesa e deliberadamente neutra.
Além disso, a Secom recomendou que os ministros não comentem diretamente a atuação do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), que tem sido citado no contexto da disputa judicial. A recomendação inclui abstinência de entrevistas e postagens que possam ser interpretadas como alinhadas a uma das partes no conflito institucional.
O episódio e os desdobramentos no STF
A crise escalou depois que detalhes de uma reunião interna entre ministros do STF sobre o processo do Banco Master vieram a público, suscitando alegações de possíveis gravações não autorizadas. Isso elevou a desconfiança interna e gerou uma ruptura na relatoria do caso, que passou das mãos de Dias Toffoli para o ministro André Mendonça. Mesmo com a mudança de relatoria, a tensão entre ministros e em setores da sociedade permaneceu elevada.
A investigação da Polícia Federal sobre aportes de até R$ 400 milhões da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master intensificou o debate sobre transparência e sobre possíveis interferências externas. Por isso, o governo decidiu recuar da discussão pública, para não se envolver diretamente em uma disputa que se transformou em crise institucional.
Analistas veem estratégia de contenção
Especialistas políticos avaliam que o governo quer, antes de tudo, reduzir o desgaste político. Especialmente quando faltam menos de dois anos para as eleições gerais de 2026. Segundo analistas, a orientação de silêncio ajuda a evitar que conflitos entre Poderes definam a agenda política do Executivo. Para que narrativas adversas não ganhem força nas mídias e no debate público.
Em síntese, a ordem de Sidônio Palmeira é prática, articulada e voltada para manter foco na gestão pública. Quer evitar ruídos comunicacionais e proteger a estabilidade institucional.

