
A postura do procurador-geral da República, Paulo Gonet, gerou uma onda de indignação entre parlamentares e membros do Ministério Público nesta quinta-feira (5). O estopim da crise foi a recusa da PGR em se manifestar sobre o pedido de prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal (PF) por ordenar ações violentas e acessar dados sigilosos de órgãos de inteligência.
Conflito entre PGR e STF
O imbróglio começou quando a PF enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma representação sobre ameaças de Vorcaro contra o jornalista Lauro Jardim e ex-funcionários. Dessa forma, diante da gravidade, a PF solicitou a prisão do banqueiro. Contudo, a PGR alegou que o prazo concedido era ‘exíguo’ e de ‘impossível atendimento’ para evitar opinar sobre a medida.
Consequentemente, o ministro André Mendonça criticou abertamente a inércia do órgão e autorizou as medidas cautelares mesmo sem o parecer da procuradoria. Assim, a equipe de Gonet defendeu que a complexidade do caso exigia uma análise técnica que não poderia ser feita em poucas horas.
Reações ao Gonet no Congresso Nacional
Portanto, a omissão de Gonet uniu oposição e governo em um raro momento de consenso crítico. Os deputados da oposição relembram o rigor do PGR em casos envolvendo aliados de Bolsonaro. Já os parlamentares da base governista demonstram preocupação com a proximidade do procurador com ministros do STF.
- Marcel Van Hattem (Novo-RS): Ironizou a postura de Gonet nas redes sociais, afirmando que o procurador “tomou esporro de Mendonça e não foi à toa”.
- Julia Zanatta (PL-SC): Comparou o acesso ilegal de Vorcaro a dados do FBI e do MPF com o caso da ex-deputada Carla Zambelli, presa por invadir sistemas do Judiciário.
- Parlamentares governistas: Afirmam que o silêncio de Gonet reflete um alinhamento com o “centrão do STF” e que a gravidade das ameaças físicas apontadas pela PF deveria ter gerado urgência.
Defesa e bastidores
Por outro lado, interlocutores da PGR afirmam que a gestão de Paulo Gonet prioriza o rigor processual para evitar que as provas sejam anuladas futuramente. Por fim, o órgão considera que não havia urgência que justificasse atropelar os prazos de análise.

