
O ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (18) que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está “sonolento e abatido” na Penitenciária da Papuda, em Brasília. A declaração foi feita nas redes sociais após visita ao presídio, onde o ex-chefe do Executivo cumpre prisão desde janeiro.
De acordo com Carlos – que transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina, onde pretende concorrer ao Senado – durante o encontro ele organizou itens pessoais permitidos na cela, como livros, utensílios de plástico e marmitas enviadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. De acordo com o vereador, as refeições são acompanhadas de mensagens de incentivo, que ele descreveu como “pequenos gestos que mantêm a dignidade em meio ao absurdo”.
“Encontrei o Presidente sonolento e abatido, obviamente se questionando sobre uma prisão que jamais deveria existir, já que não cometeu crime algum”, escreveu Carlos. Ele também afirmou temer pelo estado de saúde do pai e criticou o que chamou de ‘normalização” da situação’. “Pode existir a qualquer momento um ponto de não retorno em relação à saúde do meu pai”, declarou.
Eis a íntegra da declaração de Carlos Bolsonaro:
Saio mais uma vez da Papuda nesta Quarta-feira de Cinzas, seguindo rigorosamente os dias e horários de visita – quartas e sábados. Encontrei o Presidente sonolento e abatido, obviamente se questionando sobre uma prisão que jamais deveria existir, já que não cometeu crime algum. É humanamente impossível que alguém suporte tais condições por tanto tempo e consiga manter-se ileso. Se eu estou cansado, imagine ele.
Deu tempo de dar uma arrumada em seus livros e nos poucos utensílios de plástico permitidos. Organizei também as tampas das marmitas, sempre com as mensagens que a Michelle deixa para cada refeição – pequenos gestos que mantêm a dignidade em meio ao absurdo.
Mais um dia se passou, e minha preocupação só aumenta ao ver a normalização do que estão fazendo. Pode existir a qualquer momento um ponto de não retorno em relação à saúde do meu pai. Ele é uma rocha, mas é impossível não perceber que, dia após dia, a covardia que sofre o atinge cada vez mais.

