
O Brasil registrou 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, ocupando a 107ª colocação entre 180 países. Embora tenha oscilado um ponto acima em relação ao recorde negativo do ano anterior, o desempenho reflete uma estagnação preocupante. Segundo o relatório publicado nesta terça-feira (10) pela organização Transparência Internacional, o país compartilha sua posição com o Sri Lanka e segue distante da média das Américas, que é de 43 pontos.
Histórico do Brasil
Portanto, a trajetória brasileira no índice revela um cenário de declínio persistente. Desde 2015, o Brasil não consegue atingir a média global. Para efeito de comparação, o melhor desempenho histórico do país ocorreu em 2012 e 2014, quando alcançou 43 pontos.
No topo da lista atual, a Dinamarca lidera com 89 pontos, enquanto os índices mais baixos pertencem à Somália e ao Sudão do Sul, ambos com apenas nove pontos.
Escândalos em 2025 impactam a imagem do país
A Transparência Internacional destaca que a percepção de corrupção no Brasil foi alimentada por episódios recentes de grande repercussão. Assim, entre os principais fatos citados no relatório, destacam-se:
- Fraudes no INSS: Esquemas envolvendo descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários.
- Caso Banco Master: Suspeitas de emissão de cédulas de crédito fraudulentas, que resultaram em operações da Polícia Federal no Amapá para investigar desvios de R$ 400 milhões.
- Setor Farmacêutico: Denúncias do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o proprietário da rede Ultrafarma e ex-auditores.
Riscos para o jornalismo
Dessa forma, um dos pontos mais alarmantes do relatório associa a corrupção à violência física. A organização revela que 90% dos assassinatos de jornalistas que investigam esquemas ilícitos ocorrem em países com menos de 50 pontos no IPC.
O Brasil integra esse grupo de risco, ao lado de nações como México, Paquistão e Iraque, sendo classificado como um local perigoso para o exercício do jornalismo investigativo.
Pontuação calculada
Diferente de pesquisas de opinião pública, o IPC baseia-se na visão de especialistas e executivos de alto escalão. Ao todo, a Transparência Internacional utiliza 13 fontes independentes, incluindo instituições de prestígio como:
- Banco Mundial;
- Fórum Econômico Mundial;
- Unidade de Inteligência da The Economist.
Por fim, esses analistas avaliam critérios objetivos, como o desvio de verbas públicas, a eficácia do combate ao suborno e o uso de cargos governamentais para benefícios privados. Para que uma fonte seja considerada, ela deve seguir critérios rigorosos de coleta de dados e transparência metodológica.

