
Entra em operação nesta quinta-feira (26), em Campos Novos, no Meio-Oeste de Santa Catarina, a primeira usina de biometano da América Latina produzida a partir de dejetos suínos, implantada pela H2A Bioenergia em parceria com a Copercampos, com investimento de R$ 65 milhões, com o objetivo de transformar resíduos do agronegócio em combustível renovável, reduzir emissões e ampliar a matriz energética limpa no estado.
Como a usina gera energia
A usina resolve um problema antigo e, ao mesmo tempo, cria uma solução moderna. Ela capta os dejetos da suinocultura, conduz esse material para biodigestores e, em seguida, transforma tudo em biogás. Depois, purifica o gás e gera biometano pronto para uso.
Na prática, o sistema produz cerca de 16 mil metros cúbicos de biometano por dia. Além disso, a planta também aproveita subprodutos, como o dióxido de carbono, o que aumenta a eficiência do processo.
Ao mesmo tempo, a certificação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis garante a comercialização do combustível com padrão de qualidade e rastreabilidade. Ou seja, o produto já entra no mercado com segurança jurídica e potencial de escala.
Impacto ambiental imediato
O projeto muda a lógica ambiental do setor. Antes, os dejetos geravam poluição. Agora, eles viram energia.
Com isso, a usina reduz em mais de 90% as emissões de gases de efeito estufa quando comparada aos combustíveis fósseis. Além disso, evita que o metano, um gás altamente poluente, seja liberado diretamente na atmosfera.
Ao mesmo tempo, melhora a gestão ambiental nas propriedades rurais e reduz riscos de contaminação do solo e da água. Na prática, o impacto é direto e mensurável.
Agro acelera a transição energética
Esse movimento coloca o agronegócio no centro da agenda energética. E isso muda o jogo.
O Brasil possui um dos maiores potenciais do mundo para produção de biometano. No entanto, ainda aproveita pouco desse volume. Agora, com projetos como esse, o setor começa a avançar de forma concreta.
Além disso, o modelo cria uma cadeia inteligente. O produtor fornece o resíduo, a indústria transforma e o mercado consome energia limpa. Tudo conectado, tudo girando.
Expansão já está em curso
O projeto não nasce isolado. Pelo contrário, ele já puxa uma nova onda de investimentos.
A empresa responsável planeja investir cerca de R$ 2,9 bilhões nos próximos anos para implantar até 22 novas usinas no país. Com isso, Santa Catarina deve se consolidar como um dos principais polos de energia renovável ligada ao agronegócio.
Ao mesmo tempo, o movimento tende a atrair novos negócios, gerar empregos e fortalecer a economia regional.
O que muda a partir de agora
A virada é clara. O que antes gerava custo agora gera receita. O que era problema ambiental agora vira ativo estratégico.
Além disso, o campo amplia seu papel. Ele não produz apenas alimento. Ele também passa a produzir energia.
E aqui vai o ponto central. Quem entrar agora nesse modelo sai na frente. Energia limpa deixou de ser discurso. Virou operação, virou escala, virou negócio.
Santa Catarina dá um passo firme e, ao mesmo tempo, aponta um caminho. O Brasil tem potencial. Agora começa, de fato, a usar.

