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MPF processa Globo por pronúncia de “recorde” e pede R$ 10 milhões

Procurador afirma que erro recorrente fere dever educativo da emissora

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MPF processa Globo por pronúncia de “recorde” e pede R$ 10 milhões
Imagem: Reprodução/GloboPlay

O Ministério Público Federal em Minas Gerais entrou com ação civil pública contra a TV Globo e pediu indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. A ação foi protocolada em 29 de janeiro de 2026, em Uberlândia. O autor é o procurador da República Cléber Eustáquio Neves. Ele sustenta que a emissora pronuncia de forma incorreta a palavra “recorde” em telejornais e programas esportivos e, por isso, desrespeita o dever constitucional de promover conteúdo educativo e informativo.

O que motivou a ação

Segundo o MPF, a palavra “recorde” é paroxítona. Portanto, a sílaba tônica é “cor”, reCORde. No entanto, conforme a petição, apresentadores e repórteres teriam enfatizado a primeira sílaba, como se a palavra fosse proparoxítona. Para o procurador, essa prática se repete com frequência e influencia milhões de espectadores.

Além disso, o MPF argumenta que a Globo opera por concessão pública. Portanto, deve observar a norma culta da língua portuguesa. Na avaliação do órgão, quando a emissora difunde uma pronúncia considerada inadequada, ela induz a população ao erro e compromete o papel educativo previsto na Constituição.

O que o MPF pede à Justiça

Na ação, o procurador solicita que a Justiça condene a emissora ao pagamento de R$ 10 milhões por dano moral coletivo. Além disso, pede que a Globo faça retratação pública em rede nacional e corrija a pronúncia da palavra em sua programação.

O texto também menciona que a língua portuguesa integra o patrimônio cultural imaterial do país. Por isso, segundo o MPF, a difusão reiterada de erro de prosódia pode configurar lesão a esse patrimônio.

Repercussão do caso

Até o momento, a Globo não apresentou defesa formal no processo. Em situações semelhantes, a emissora costuma informar que não comenta ações judiciais em andamento.

O caso, no entanto, já gerou debate nas redes sociais e no meio jurídico. De um lado, há quem veja exagero na iniciativa. De outro, há quem defenda rigor maior na linguagem de veículos com alcance nacional. Assim, a discussão ultrapassa a pronúncia de uma palavra e avança para o papel cultural das grandes emissoras.

Agora, caberá à Justiça analisar os argumentos e decidir se houve violação ao dever educativo previsto para concessionárias de radiodifusão.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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