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The Economist alerta para risco de “brasilificação” fiscal no mundo rico

Revista britânica usa o Brasil como exemplo de pressão da dívida e dos juros altos

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The Economist alerta para risco de “brasilificação” fiscal no mundo rico
Foto: Divulgação / Marcello Casal JR / Agência Brasil

A revista britânica The Economist publicou na quinta-feira (12), em Londres, um editorial em que afirma que o Brasil pode antecipar um problema que ameaça economias desenvolvidas, a chamada “brasilificação” fiscal. A análise aponta que juros elevados e dívida pública pressionada criam um cenário de risco e, por isso, servem de alerta para países ricos que também enfrentam aumento de gastos e dificuldades para equilibrar o orçamento.

Brasil vira estudo de caso

Primeiro, a revista destaca que o Brasil combina crescimento moderado, Banco Central independente e algum controle inflacionário. No entanto, ao mesmo tempo, o país convive com uma dívida cara e com juros elevados. Assim, mesmo com indicadores aparentemente estáveis, o custo de financiamento corrói o orçamento público.

Além disso, o governo precisa emitir dívida de forma constante para pagar os próprios juros. Consequentemente, a dinâmica fiscal se torna mais rígida. Portanto, segundo a publicação, o problema não está apenas no tamanho da dívida, mas principalmente no preço que se paga por ela.

Juros altos pressionam as contas

Atualmente, a taxa básica de juros permanece em patamar elevado. Com isso, o custo do crédito sobe, o investimento diminui e o crescimento desacelera. Ao mesmo tempo, o Tesouro precisa destinar uma fatia significativa do orçamento apenas para honrar compromissos financeiros.

Enquanto isso, as despesas obrigatórias seguem crescendo. A previdência e os gastos sociais consomem parcela relevante do PIB. Assim, o espaço para investimento encolhe. Consequentemente, o ajuste fiscal se torna politicamente mais difícil e economicamente mais urgente.

Alerta para países desenvolvidos

Segundo a The Economist, o que ocorre no Brasil pode se repetir em economias avançadas. Hoje, muitos países ricos também enfrentam envelhecimento da população, aumento de despesas com saúde e juros mais altos do que na década passada. Portanto, o risco de desequilíbrio fiscal cresce.

Além disso, se os governos não promoverem reformas estruturais, poderão enfrentar escolhas duras. Ou cortam gastos e enfrentam resistência social, ou mantêm déficits elevados e veem a dívida crescer ainda mais. Nesse cenário, a revista sugere que o Brasil funciona como um aviso antecipado.

Contexto político amplia o debate

O editorial também considera o ambiente político. Reformas fiscais exigem articulação, negociação e, sobretudo, capital político. No entanto, em períodos pré-eleitorais, decisões impopulares costumam ser adiadas. Assim, a pressão se acumula.

Por isso, a discussão sobre responsabilidade fiscal tende a ganhar protagonismo. Não apenas no Brasil, mas também em outras economias que hoje acreditam estar protegidas.

Ao usar o Brasil como exemplo, a The Economist reforça que juros altos, dívida crescente e rigidez orçamentária formam uma combinação delicada. Portanto, quanto mais cedo governos enfrentarem o problema com reformas claras e planejamento consistente, menores serão os custos futuros. Caso contrário, o risco fiscal pode deixar de ser local e se tornar global.

Ismael Melo

Sobre o autor

Ismael Melo

Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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