
A erosão acelerada no litoral sul de São Paulo pode criar uma nova ilha nos próximos meses em Cananéia, onde uma faixa de terra no Estreito do Melão, na Ilha do Cardoso, perdeu grande parte da largura devido ao avanço do mar, segundo pesquisadores e órgãos ambientais que monitoram a área. O processo se intensificou ao longo de 2025 e segue neste início de 2026 por causa das ressacas frequentes e da força das marés.
Perda acelerada de território
A faixa de areia já teve cerca de 100 metros de largura. Agora, no entanto, mede aproximadamente 20 metros em alguns pontos. Ou seja, o mar avança de forma constante e reduz o espaço físico que liga trechos da ilha.
Além disso, moradores relatam que as ondas chegam cada vez mais perto das casas e trilhas. Tempestades que antes eram pontuais agora se repetem com mais intensidade. Com isso, o desgaste natural se acelera e aumenta o risco de rompimento total da área.
Se a ligação ceder, a água vai separar definitivamente uma parte do território, formando uma nova ilha.
Comunidades em alerta
Caiçaras e indígenas vivem na região há gerações. Por isso, acompanham a mudança da paisagem com preocupação. Caso o rompimento ocorra, o acesso entre vilas ficará mais difícil. Consequentemente, transporte, abastecimento e serviços básicos podem sofrer impacto direto.
Além do efeito social, o fenômeno também altera o equilíbrio ambiental. Manguezais e áreas de reprodução de espécies marinhas dependem da dinâmica das marés. Se o canal se abrir de vez, a circulação da água muda e pode afetar o ecossistema local.
O que explica o fenômeno
Especialistas apontam que a erosão costeira é um processo natural. No entanto, fatores climáticos ampliam a velocidade do desgaste. A elevação do nível do mar e o aumento de eventos extremos pressionam ainda mais a faixa de terra.
Ao mesmo tempo, a própria dinâmica do estuário contribui para a instabilidade do solo. Correntes marítimas, ventos e marés redistribuem sedimentos de forma contínua. Assim, o território se remodela, às vezes de maneira lenta, outras vezes de forma abrupta.
Monitoramento e próximos passos
Órgãos ambientais acompanham a área por meio de imagens de satélite e vistorias técnicas. O objetivo é avaliar riscos e definir estratégias de adaptação. Entre as alternativas estudadas estão medidas de contenção e planos de apoio às comunidades.
Ainda assim, técnicos reconhecem que nem sempre é possível impedir totalmente a ação do mar. Por isso, o debate envolve tanto proteção ambiental quanto adaptação à nova configuração geográfica.
Se o rompimento acontecer, a paisagem do litoral sul paulista vai mudar de forma definitiva. Mais do que um novo traço no mapa, a possível nova ilha representa um alerta sobre a vulnerabilidade das áreas costeiras diante das mudanças climáticas e da força da natureza.

