
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vai participar da cerimônia oficial de assinatura do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, marcada para sábado (17), em Assunção, no Paraguai. Em vez disso, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A decisão ocorre porque o governo avaliou que a presença presidencial não era indispensável neste momento e optou por manter Lula no país, preservando uma estratégia diplomática mais ampla.
A escolha acontece logo após Lula se reunir, no Rio de Janeiro, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Nesse encontro, o governo brasileiro reforçou o protagonismo do país nas negociações e celebrou a conclusão de um acordo que levou mais de duas décadas para sair do papel.
Decisão envolve cálculo político e diplomático
Segundo o Palácio do Planalto, a cerimônia em Assunção foi pensada inicialmente como uma reunião ministerial. Os convites a chefes de Estado, portanto, ocorreram apenas nos últimos dias. Diante disso, Lula avaliou que não havia necessidade de alterar sua agenda. Além disso, o presidente decidiu evitar um evento com forte exposição política regional, que reuniria líderes com visões divergentes, o que poderia deslocar o foco do conteúdo do acordo.
Assim, ao manter o chanceler na linha de frente, o governo sinaliza continuidade, segurança institucional e coerência diplomática. Ao mesmo tempo, reforça que o protagonismo brasileiro já foi exercido nas etapas decisivas da negociação.
A importância do acordo para o Brasil e o Mercosul
O tratado entre Mercosul e União Europeia cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Na prática, o acordo prevê redução de tarifas, ampliação do acesso a mercados e estímulo às exportações de produtos agrícolas e industriais. Para o Brasil, o impacto pode atingir setores como carne, açúcar, café, etanol, automóveis e bens manufaturados.
Além disso, o governo avalia que o acordo fortalece o multilateralismo em um cenário internacional marcado por tensões comerciais e disputas geopolíticas. Por isso, mesmo sem a presença de Lula na assinatura, o Planalto destaca que o Brasil segue como ator central no processo.
Assinatura não encerra o processo
Apesar da assinatura formal, o acordo ainda precisará passar por etapas decisivas. O texto terá de ser analisado e aprovado pelos parlamentos dos países do Mercosul e também pelo Parlamento Europeu. Esse trâmite pode levar anos e enfrentar resistências, sobretudo em setores europeus ligados à agricultura e ao meio ambiente.
Ainda assim, o governo brasileiro avalia que a assinatura representa um avanço concreto e simbólico. Ao optar por não comparecer, Lula sinaliza que o foco agora está menos no gesto político e mais na consolidação do acordo dentro dos marcos institucionais.

