
O YouTube anunciou nesta semana que vai ampliar globalmente a identificação automática de vídeos produzidos com inteligência artificial na plataforma.
A mudança ocorre em meio ao aumento das preocupações no Brasil sobre o impacto de deepfakes e conteúdos sintéticos nas eleições de 2026.
Além disso, a plataforma informou que começará a utilizar “novos sinais internos” para detectar vídeos criados ou alterados com IA, principalmente conteúdos considerados fotorrealistas.
Plataforma aplicará avisos automáticos
Com a nova medida, o próprio YouTube poderá aplicar automaticamente etiquetas em vídeos gerados por inteligência artificial, mesmo quando o criador não informar o uso da tecnologia.
Até então, a política da empresa dependia principalmente da autodeclaração dos usuários.
Além disso, o YouTube afirmou que os avisos ficarão mais visíveis. Em vídeos tradicionais, o selo aparecerá abaixo do player. Já nos Shorts, o alerta será exibido diretamente sobre o vídeo.
Eleições de 2026 preocupam autoridades
A decisão da plataforma ocorre justamente em um momento em que autoridades eleitorais e especialistas brasileiros discutem os riscos do uso massivo de inteligência artificial na próxima eleição presidencial.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por exemplo, já aprovou regras específicas para o uso de IA em propagandas eleitorais.
As normas determinam a identificação obrigatória de conteúdos sintéticos e proíbem deepfakes criados para favorecer ou prejudicar candidaturas.
Além disso, o tribunal manteve a proibição de conteúdos gerados por IA nas 72 horas anteriores à votação.
TSE trata IA como um dos maiores desafios
Nos bastidores, ministros e integrantes do TSE passaram a tratar o uso de inteligência artificial como um dos principais desafios das eleições de 2026.
Isso porque ferramentas generativas conseguem criar vídeos, vozes e rostos artificiais com alto nível de realismo.
Plataforma já testa rastreamento de deepfakes
Em março, o YouTube também iniciou a liberação de uma ferramenta destinada a políticos e jornalistas.
A tecnologia consegue rastrear vídeos potencialmente manipulados com inteligência artificial usando a imagem dessas pessoas.
Com isso, usuários poderão localizar conteúdos publicados na plataforma e solicitar remoções em casos considerados irregulares.
Nova política não altera monetização
Segundo o YouTube, a nova política de rotulagem automática não mudará as regras de monetização nem os sistemas de recomendação de vídeos.
No entanto, a empresa afirmou que poderá adotar medidas contra usuários que repetidamente deixarem de informar o uso de IA em conteúdos realistas.

