
A Polícia Civil de São Paulo prendeu João Nazareno Roque, apontado como o funcionário que abriu caminho para um dos maiores crimes de ataque hacker já registrados contra o sistema financeiro brasileiro. O crime comprometeu operações de pelo menos seis bancos e movimentou o mercado na última quarta-feira (2).
Segundo o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), Roque era funcionário da C&M Software, empresa que presta serviços para bancos menores e fintechs operarem com o Banco Central, inclusive o PIX.
Em depoimento, Roque confessou que vendeu, em maio, sua senha a hackers por R$ 5 mil. Depois o suspeito ajudou a criar um sistema para desviar valores, recebendo mais R$ 10 mil. Ele também contou que trocava de celular a cada 15 dias para não ser rastreado.
O suspeito foi preso em casa, no bairro City Jaraguá, na Zona Norte da capital. Uma conta com R$ 270 milhões, usada para receber o dinheiro desviado, já foi bloqueada. A polícia investiga outros envolvidos no esquema.
Prejuízos milionários devido ataque
O caso veio à tona depois que a BMP, cliente da C&M, registrou boletim de ocorrência denunciando desvios milionários. A empresa confirma que colabora com as investigações e mantém a plataforma operacional, mas que não comentará o caso até o fim do trabalho policial.
Segundo a C&M, os hackers usaram credenciais de clientes para acessar informações e contas de reserva de ao menos seis instituições financeiras. O Banco Central ainda não confirmou os prejuízos, mas estimativas apontam que o rombo pode chegar a R$ 800 milhões.

