
A Polícia Federal intensificou em fevereiro de 2026 os depoimentos de servidores investigados por suposto vazamento de dados sigilosos da Receita Federal, em Brasília, no âmbito de inquérito que apura acesso a informações fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal e de seus familiares. A investigação busca esclarecer quem acessou os dados, quando isso ocorreu, por que ocorreu e se houve uso indevido das informações.
PF estrutura interrogatório em seis blocos
Primeiro, os investigadores exigem que cada servidor confirme nome, cargo, matrícula e tempo de atuação. Em seguida, questionam diretamente se houve acesso a dados de ministros ou parentes e, principalmente, qual foi a justificativa funcional para esse acesso.
Além disso, a PF pergunta se os investigados compartilharam login e senha com terceiros. Também quer saber como armazenam credenciais e quais medidas adotam para evitar fraudes. Com isso, a corporação tenta fechar brechas técnicas e identificar falhas de segurança.
Ao mesmo tempo, os investigadores analisam se houve conversas internas sobre os dados consultados e se os servidores já responderam a sindicâncias anteriores. Por fim, solicitam autorização para examinar celulares e computadores utilizados no trabalho.
Defesas negam irregularidades
Uma das investigadas, a técnica do Seguro Social Ruth Machado dos Santos, afirmou que realizava atendimento presencial no horário indicado pelo sistema e, portanto, não teria acessado dados de autoridades. Mesmo assim, a Justiça determinou busca e apreensão, afastamento do cargo e uso de tornozeleira eletrônica. Ela nega qualquer irregularidade e rejeita a hipótese de compartilhamento de senha.
Já o auditor fiscal Ricardo Mansano de Moraes declarou que acessou dados de uma parente de ministro de forma acidental. Segundo ele, o sistema teria direcionado a consulta sem intenção deliberada de violar sigilo. A defesa sustenta que não houve dolo.
Outros servidores também são investigados e prestam esclarecimentos. Enquanto isso, a Receita Federal conduz auditoria interna paralela e promete entregar relatório ao STF até o fim do mês.
Apuração busca motivação e eventual uso político
Agora, a Polícia Federal tenta identificar se houve violação deliberada de sigilo funcional e, principalmente, qual foi o destino das informações consultadas. A investigação avalia eventual motivação política, uso estratégico dos dados ou repasse a terceiros.
Portanto, o caso segue em andamento e pode gerar desdobramentos administrativos e criminais. A apuração entra em fase decisiva porque envolve dados sensíveis e autoridades do Judiciário. O foco, neste momento, é garantir rastreabilidade, responsabilização e transparência.

