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Narcotráfico: operação com 49 prisões detém dois em SC

Operação ocorreu em 19 cidades entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina

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Narcotráfico: operação com 49 prisões detém dois em SC
Foto: Divulgação / Polícia Civil

A operação Turrim Lavare, da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, resultou na prisão de 49 pessoas na manhã desta quinta-feira (16). A ação mira, sobretudo, uma organização criminosa ligada à lavagem de dinheiro oriunda do narcotráfico. Uma das prisões aconteceu no bairro Carianos, em Florianópolis, e outra na cidade de Vargem Bonita, no Oeste catarinense.

A ação, conduzida pelo Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC/DRLD), cumpriu 209 medidas cautelares em 19 municípios, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros que podem chegar a R$ 120.326.000,00, conforme os delegados Adriano Nonnenmacher e Rafael Delvalhas Liedtke, que presidem o inquérito.

Além das 48 prisões (incluindo 68 preventivas deferidas), a Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro autorizou:

  • 74 bloqueios de contas bancárias.
  • 6 sequestros de imóveis, sendo dois deles localizados em Santa Catarina.
  • 20 veículos com ordem de indisponibilidade via RENAJUD e 4 com mandado de busca e apreensão/sequestro.

A indisponibilidade dos ativos sequestrados pode atingir R$ 2 milhões.

Foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão em residências, concentrados no Rio Grande do Sul (em cidades como Novo Hamburgo, Campo Bom, Lajeado e 6 em Torres) e em Santa Catarina, nos bairros Carianos e Cachoeira do Bom Jesus, em Florianópolis, e em Vargem Bonita.

Modus operandi: inserção de capital ilícito na economia

De acordo com os delegados, o modus operandi da organização consistia em sofisticadas técnicas de lavagem de capitais no sistema financeiro. Eles utilizavam a compra de veículos e imóveis para inserir ativos ilícitos na economia formal.

A movimentação bancária utilizava métodos de dissimulação como pulverizações, fracionamentos (smurfings), triangulações, uso de contas de idosos e contas de passagem (depósitos e saques rápidos), além de casas lotéricas.

O dinheiro circulava entre líderes, gerentes, operadores ligados ao narcotráfico e “laranjas”. No entanto, o destaque era o recrutamento de indivíduos com antecedentes por tráfico, homicídios e roubos para pulverizar os valores em diversas contas. Dessa forma, a expertise do grupo permitia realizar transações milionárias em pequenos montantes, visando evitar a detecção dos órgãos fiscalizadores.

Entre os alvos da prisão preventiva está um “grande líder estadual de Organização Criminosa” do Rio Grande do Sul. Ele teria sido preso recentemente fora do país por lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As provas financeiras confirmaram ainda a conexão entre a atuação do grupo no litoral e operadores ligados a líderes estaduais na Grande Porto Alegre. Assim, se demonstra a forte expansão regional da facção.

Conexão com a primeira fase e o combate ao narcotráfico

A Turrim Lavare é a continuação da Operação Turrim, deflagrada em 2023. À época, a polícia já havia detido 65 envolvidos e apreendido mais de 30 armas de fogo (em SC e RS), além de drogas. Comprovou, ainda, a ligação do grupo com homicídios nos dois estados e ameaças a autoridades policiais.

O diretor de investigações do DENARC, delegado Alencar Carraro, ressalta a importância desta segunda fase por “atingir a alta cúpula do narcotráfico gaúcho mediante provas robustas após um ano de análises e diligências”.

O diretor-geral, delegado Carlos H. B. Wendt, destacou a ação como “mais uma ação exitosa” da Polícia Civil. Ele cita, por fim, a descapitalização de cerca de R$ 130 milhões em diversas operações do DENARC até o momento.

A operação contou com o apoio operacional da Polícia Civil de Santa Catarina e da Secretaria de Operações Integradas (DIOPI) do Ministério da Justiça, através do Projeto IMPULSE.