
Hosmany Ramos, médico cirurgião plástico, foi identificado como o homem acusado de atirar em um morador da praia de Cabeçudas em Itajaí na tarde desta quarta-feira (1º). Ele já possui uma extensa ficha criminal.
O caso ganhou repercussão após Ramos agendar uma visita para conhecer os imóveis da vítima, alegando que compraria um terreno para construir uma clínica na cidade.
Hosmany Ramos nasceu como Osmani e mudou sua identidade após formar-se em medicina. Na década de 1970, ele atendia em dois consultórios particulares e foi assistente de Ivo Pitanguy, um dos maiores cirurgiões plásticos do mundo.
Na época, ele possuía quatro carros importados e um apartamento de alto padrão na Praia de Copacabana, símbolo de status social.
Entre o final da década de 70 e início dos anos 80, ele entrou para o mundo do crime, inicialmente traficando drogas para outros países, utilizando seu próprio avião particular. Em 1981, foi condenado a cumprir 53 anos de prisão após dois assassinatos: do seu piloto, Joel Avon, e do estelionatário Firmiano Angel.
Médico fugitivo
Sua biografia criminal inclui ainda a fuga da Penitenciária de Segurança Máxima de Taubaté, sendo um dos poucos que tiveram sucesso nessa façanha. Após ser recapturado, fugiu novamente, depois de uma saída temporária no Dia das Mães de 1996.
Um mês após, a polícia o prendeu novamente, desta vez por participar como cúmplice de um sequestro de um grande fazendeiro de Campinas. A nova sentença deu a ele mais 30 anos de prisão.
Além disso, Hosmany considerava-se um preso audacioso. Após uma nova saída temporária, entre o Natal de 2008 e o início de 2009, convocou uma coletiva de imprensa para informar que não voltaria à prisão, alegando as péssimas condições da mesma. Além disso, tentou em vão agendar uma reunião com um juiz criminal, fato que nunca ocorreu.
Dias depois, fugiu do Brasil pela Guiana Francesa e de lá voou para a Europa. Posteriormente, a Interpol prendeu o Dr. Ramos na Islândia com um passaporte falso com o nome de seu irmão, e ele foi repatriado meses depois.
Ele conquistou a liberdade definitiva após cumprir parte de sua pena em 2016 e mudou-se para Palmas, capital do Tocantins.
Em fevereiro de 2023, a polícia prendeu o médico mais uma vez por roubar um telefone Samsung modelo S20 de um cliente em um supermercado em Palmas. Durante o depoimento, ele ficou calado, e o advogado devolveu o aparelho.
Hosmany Ramos voltou a atuar na medicina, atendendo em clínicas e em seu consultório, com registro atualizado pelo Conselho Regional de Medicina de Tocantins.
Aventuras na política e atuação na literatura
Na vida política, Hosmany Ramos tentou ser candidato a deputado federal pelo Estado de São Paulo em 2018 pelo Avante, mas teve o registro da candidatura negado pela Justiça Eleitoral por ser ficha suja.
Ele teve um relacionamento com jornalista Marisa Raja Gabaglia, romance este retratado no livro “Amor Bandido”.
Durante o tempo em que esteve na prisão, “Dr. Ramos” publicou oito livros, e “Marginália” foi lançado até mesmo na França. Em 2001, seu livro “Pavilhão 9 — Paixão e Morte no Carandiru” foi lançado na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, mas ele participou do evento por videoconferência, já que não teve sua saída autorizada pela Justiça.
Atualmente, ele encontra-se preso em Itajaí após uma nova suspeita de incursão no mundo do crime. Para a Polícia Militar, ele alegou que foi a vítima que deu um tiro em si próprio após uma discussão sobre um empreendimento de ensino.
No momento da prisão, os policiais o encontraram imobilizado por populares que presenciaram a briga entre Ramos e o dono dos imóveis. Além disso, as autoridades apreenderam um revólver com numeração raspada que o autor usou no crime.

