
A Justiça catarinense condenou dois homens a penas que somam 19 anos e seis meses de prisão em regime fechado por participação em organização criminosa, tráfico de drogas e incitação a atos violentos, incluindo incêndios em veículos e vias públicas, na região Norte da Ilha de Santa Catarina. A decisão foi proferida pela Vara Criminal da Região Metropolitana da comarca da Capital na última sexta-feira (27). Não haverá possibilidade de recorrer em liberdade.
Os crimes ocorreram em outubro de 2024, nos bairros Ingleses e Rio Vermelho, no Norte da Ilha, em Florianópolis. A intenção dos criminosos era atrapalhar uma operação policial que visava capturar um líder do crime organizado. Após ser flagrado no tráfico e reagir com disparos, o chefe da organização fugiu e emitiu um “salve” — espécie de ordem — para que integrantes da facção criassem tumulto na região.
Com apoio de adolescentes, os dois condenados montaram barricadas e atearam fogo nas ruas para impedir o avanço das viaturas. Eles interceptaram um ônibus do transporte coletivo foi interceptado, e os passageiros e o motorista foram obrigados a descer antes de o veículo ser incendiado. Os ataques começaram por volta das 15h30 e seguiram até o início da noite.
Justiça decidiu pelas condenações
Um dos acusados recebeu pena de 10 anos e seis meses de reclusão pelos crimes de organização criminosa com envolvimento de menores e incêndio. O outro, condenado a nove anos, foi responsabilizado por tráfico de drogas e incêndio com participação de adolescentes. Durante a tentativa de fuga, a polícia localizou em sua residência porções de maconha e cocaína.
Na sentença, o juiz destacou a estrutura do grupo criminoso: “Pode-se sustentar que a organização criminosa tem a visível feição de uma empresa, distinguindo-se das empresas lícitas pelo seu objeto e métodos ilícitos”, afirmou o magistrado ao descrever o funcionamento articulado da facção, com divisão de tarefas e objetivo comum de obter vantagens ilícitas.

