
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT), de Campinas, condenou o influencer Peter Liu por manter escrava por cerca de 30 anos. A mulher exercia cuidados à família, tarefas domésticas e na clínica. Peter Liu, com cerca de 3 milhões de seguidores no canal do YouTube e 1 milhão no Instagram, influencia seguidores a cuidar “do corpo, da mente e da alma” com métodos de medicina chinesa. A família foi condenada a pagar R$ 400 mil de indenização à empregada, mas a defesa dela argumenta que o valor é exíguo diante dos traumas causados por 30 anos de trabalho “sem salário e sem dignidade”.
A vítima, natural de Belo Jardim, cidade de 83 mil habitantes no interior de Pernambuco, tem 59 anos e é semianalfabeta. Ela viveu em condição análoga à escravidão com a família Liu desde os 27 anos.
A denúncia diz que a empregada trabalhava das 7h às 22h, além de outras condições diárias que caracterirazam o trabalho escravo.
Trabalho desenvolvido pela escrava a Peter Liu
Em 1992, Peter Liu e a esposa, Jane Liu, vieram da China para o Brasil e se estabeleceram em Recife (PE). À época, uma amiga em comum apresentou a funcionária para tomar conta do filho mais velho do casal. E assim começaram os primeiros contatos.
A contratação inicial foi como babá, para cuidar dos filhos mais velhos do casal. Conforme declarações documentadas em processo, nos primeiros seis meses como babá, ela recebeu um salário mínimo por mês, mas não houve registro profissional. A família chinesa teria prometido que a situação trabalhista seria regularizada assim que eles fossem naturalizados brasileiros.
Ainda segundo relato da vítima, depois dos primeiros meses, as promessas não se realizaram, e a funcionária recebeu convite de Jane, mãe dos filhos de Liu, a se mudar para São Paulo. A família foi para Campinas, no interior paulista, escapando de uma autuação por clínica irregular em Recife.
No entanto, após chegar em Campinas, ela parou de receber salário e passou a viver de ‘trocos” de compras da família.
Busca pelos direitos
Após conhecer seus direitos enquanto trabalhadora, em 2022, a mulher pediu salário ao casal. Contudo, passou a receber ameaças de morte. Ela buscou a Justiça, onde pede indenização, enquanto o casal alega que ela não tinha vínculo trabalhista.
A empregada vive hoje com a filha de Liu e Jane, Anni, que também foi condenada no mesmo processo que os pais e o irmão. Ela pede perdão da condenação, alegando que, quando compreendeu que Maria era uma escrava, tomou as medidas cabíveis.
Anni teria ajudado a funcionária a procurar terapia e proibido ela de voltar à casa dos pais para ajudar em tarefas domésticas. Nesse processo, a vítima encontrou um advogado que a ajudou a mover ação contra toda a família que a manteve escravizada.
Com informações do Portal Metropoles

