
Um julgamento que durou mais de 21 horas resultou na condenação de um filho que matou o próprio pai e tentou assassinar a mãe. A sentença foi proferida na madrugada desta sexta-feira (29) pelo Tribunal do Júri de Indaial, no Vale do Itajaí. O crime, ocorrido em janeiro de 2024, chocou a comunidade do bairro Estrada das Areias.
O tribunal sentenciou Matheus Felipe Arruda Melo a 43 anos de reclusão e seu comparsa, Marcos Paulo Schwinden, a 41 anos. Portanto, a decisão do júri popular foi unânime e acolheu a tese do Ministério Público.
Relembre o crime
De acordo com a denúncia, o crime aconteceu na madrugada de 29 de janeiro de 2024. Os acusados atacaram as vítimas com facadas enquanto elas dormiam, pegando-as de surpresa. O pai, Márcio, foi golpeado 17 vezes e morreu no local.
Ao acordar com o barulho, Patriane tentou intervir e também foi esfaqueada. Os agressores, acreditando que ela estivesse morta, fugiram. No entanto, após um tempo desacordada, a mãe recobrou a consciência e conseguiu pedir ajuda, sendo socorrida a tempo e submetida a uma cirurgia de emergência.
A motivação por trás do ataque, segundo a promotoria, foi a ganância por uma herança. Além disso, Matheus planejava usar o dinheiro de seu pai para comprar um sítio e produzir maconha. Para garantir a participação de Marcos Paulo, Matheus prometeu a ele uma picape Montana e R$ 20 mil.
O conselho de sentença analisou as argumentações do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que denunciou os réus por homicídio qualificado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante surpresa, dificultando a defesa da vítima.
Filho e amigo condenados
A justiça condenou Matheus Felipe a 24 anos pelo homicídio qualificado, 16 anos pela tentativa de homicídio qualificado e 1 ano e 4 meses por corrupção de menores, totalizando 43 anos de reclusão.
Já Marcos Paulo recebeu a pena de 25 anos e 4 meses pelo homicídio, 16 anos, 10 meses e 20 dias pela tentativa de homicídio, e 1 ano e 4 meses por corrupção de menores, somando 41 anos de prisão.
Envolvimento de menor
O tribunal também condenou os acusados pelo crime de corrupção de menores, já que uma adolescente, na época namorada de Marcos Paulo, teve envolvimento no caso. Conforme a denúncia, a jovem “não apenas estava ciente, como também aderiu voluntariamente” ao plano. Por ser menor na época do crime, ela cumpriu medida socioeducativa e já está em liberdade.
As defesas de ambos os condenados anunciaram que irão recorrer das sentenças junto ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Por fim, os réus iniciarão o cumprimento de suas penas em regime fechado.

