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Filho planejou e participou do crime contra os pais em Indaial

Caso chegou a ser comparado com o da família Von Richthofen

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Filho planejou e participou do crime contra os pais em Indaial
Márcio e a esposa. Foto: Reprodução / Redes sociais

Em uma coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (2), a Polícia Civil forneceu detalhes das investigações levaram à prisão de um jovem de 18 ano que confessou ter matado o pai e ferido a própria mãe, na casa da família, em Indaial, no Vale do Itajaí. O crime ocorreu na última segunda-feira (29), resultado na morte do empresário Márcio Elizeu Melo, de 45 anos.

A mãe, de 39 anos, segue internada, se recuperando dos golpes de faca que sofreu. “É um caso que choca”, disse o delegado responsável pelas investigações, Filipe Martins. O crime chegou a ser comparado com o caso da família Von Richthofen, onde marido e mulher foram executados com a ajuda da filha do casal, Suzane, em outubro de 2002, em São Paulo.

No caso de Indaial, o filho não apenas planejou, como também participou ativamente do crime. Foi ele quem golpeou várias vezes a mãe. O pai foi assassinado por um amigo, que receberia o valor de R$ 50 mil e mais um veículo para executar o empresário. Tudo teria sido planejado por cerca de dois meses, com bastante antecedência.

A dinâmica do crime

No dia do crime, o filho saiu de casa às 22h50, deixando a porta dos fundos e uma janela da casa abertas, por onde mais tarde, ele e o amigo teriam acesso ao imóvel. A dupla comete as agressões por volta das 00h15min e age usando os chamados “pontos cegos” do sistema de monitoramento, para evitar um possível reconhecimento.

Porém, o filho perdeu a faca que usaria na execução durante o trajeto, por uma trilha no mato. Por este motivo, ele precisou entrar na cozinha da casa e pegar outra faca. Apesar de estar com o rosto coberto por uma camiseta, familiares reconheceram o rapaz pelo jeito de andar e pela postura. Depois, ele acabou confessando tudo.

Foto: Reprodução / Redes sociais

O combinado

O combinado era o filho matar o pai e o amigo matar a mãe, mas algo deu errado naquele dia. O pai ouviu barulho e saiu do quarto. Foi quando o amigo golpeou o empresário no pescoço e os dois entraram em luta corporal. Neste momento, a mãe acorda e vai ver o que está acontecendo. Sem reconhecer o filho, ela parte para cima dele, achando que seria um assaltante.

Foi aí que o filho golpeou a própria mãe de 6 a 7 vezes na região do peito. O amigo também fere a mãe nas costas. Acreditando que o casal estava morto, a dupla foge, vai para a casa de um amigo, toma banho e troca de roupas. O filho só retorna pra casa quando a polícia já está no local. Aí fica sabendo que a mãe não morreu e foi levada com vida ao hospital da cidade.

A descoberta

A polícia conseguiu descobrir a autoria do crime analisando as imagens das câmeras de monitoramento e ouvindo testemunhas, incluindo familiares das vítimas. No depoimento do filho, havia uma série de divergências e os relatos não batiam com os depoimentos dos amigos, que seriam seu álibis. Em interrogatório, ele acabou confessando o crime.

O assassinato do pai teria sido motivado por uma raiva profunda sentida pelo filho. Os dois trabalhavam juntos na metalúrgica da família e a relação de trabalho teria se sobressaído à relação familiar. “Ele disse que era tratado como mero funcionário dos pais dentro de casa”, declarou o delegado. A intenção do jovem era matar os pais e ter “uma vida tranquila” depois.

O filho e o amigo tiveram a prisão preventiva decretada e foram detidos nesta quinta-feira (1). Os dois vão aguardar o julgamento no sistema prisional de Santa Catarina.