Região Brusque / Itajaí

Entre ameaças e estupros, violência contra mulheres dispara em Brusque e passa de 500 casos

Os números evidenciam a gravidade e a frequência da violência doméstica e de gênero na cidade

Entre ameaças e estupros, violência contra mulheres dispara em Brusque e passa de 500 casos
Foto: Divulgação/Secom

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, os dados sobre violência contra a mulher acendem um alerta em Brusque. Segundo levantamento da Polícia Civil de Santa Catarina, o município registrou, somente em 2025, 29 casos de importunação sexual, 12 de estupro e 12 de assédio sexual.

Além disso, as autoridades contabilizaram mais de 300 boletins de ocorrência por ameaça e 149 casos de lesão corporal no mesmo período. Os números evidenciam a gravidade e a frequência da violência doméstica e de gênero na cidade.

Já em 2026, ainda no início do ano, os registros apontam sete casos de importunação sexual, cinco de estupro e 60 ocorrências de ameaça.

Diante desse cenário, a rede de proteção do município mantém atendimento contínuo às vítimas. Atualmente, o Serviço de Atendimento às Vítimas de Violência Sexual (SAVS) acompanha 40 mulheres — sendo 17 adultas e as demais crianças e adolescentes. O serviço oferece acolhimento e acompanhamento psicossocial especializado.

Ao mesmo tempo, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), por meio do Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), acompanha atualmente 43 casos de mulheres vítimas de violência doméstica. Ao longo de 2025, o CREAS atendeu 59 ocorrências.

Após o acolhimento inicial, a equipe técnica inclui a vítima em acompanhamento social. Em seguida, os profissionais avaliam a existência de rede de apoio familiar ou comunitária e verificam se há um local seguro para permanência após a violência. Além disso, o atendimento pode incluir encaminhamentos para inserção no mercado de trabalho, psicoterapia na rede pública de saúde e orientação jurídica gratuita, com apoio da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina e da UNIFEBE.

O município também conta com a Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DEPCAMI), vinculada à Polícia Civil, responsável pelo atendimento especializado desses casos. Além disso, a Central de Atendimento à Mulher funciona 24 horas por dia pelo telefone 180.

Parceria

Recentemente, uma parceria entre a prefeitura e a Polícia Civil implantou a chamada Sala Lilás junto à delegacia especializada. O espaço oferece um ambiente mais acolhedor e reservado para mulheres vítimas de violência, reduzindo a exposição e a revitimização durante o depoimento.

Segundo a coordenadora do SAVS, Cris Santos, os dados reforçam a necessidade de uma rede estruturada de atendimento. “Os números demonstram que a violência contra a mulher ainda é uma realidade presente no município. Ao mesmo tempo, evidenciam a importância de integrar segurança pública, assistência social e políticas de acolhimento para garantir proteção e apoio às vítimas”, afirmou.