
Depois do caso do cão “Orelha”, que abalou Santa Catarina e reacendeu o debate sobre crueldade contra animais, a violência volta a chocar — desta vez em Itajaí. Um novo episódio de maus-tratos terminou com a morte de um cachorro e expôs, mais uma vez, a brutalidade praticada contra um animal indefeso.
Na noite desta quinta-feira (12), a Guarda Municipal de Itajaí, por meio da equipe da Guarda Ambiental, atendeu a uma denúncia de maus-tratos na Rua Domingos Braz Sedrez, no bairro Cordeiros. A Central acionou a guarnição às 18h11. Cerca de 20 minutos depois, os agentes chegaram ao local e encontraram uma viatura da Polícia Militar já em atendimento. O cão já estava morto.
Conforme relatos de testemunhas, quatro adolescentes arremessaram o animal no rio. Em seguida, eles teriam levado o cachorro até um prédio abandonado nas proximidades e o lançado do alto da edificação. A sequência de violência revoltou moradores da região, que acompanharam a movimentação das equipes de segurança.
Dono entre os envolvidos
Durante as diligências, a Polícia Militar identificou os suspeitos e apreendeu três dos envolvidos. Posteriormente, a corporação atualizou as informações: um dos detidos é maior de idade e possui passagens pela polícia, incluindo registro de prisão no Complexo Penitenciário da Canhanduba.
Além disso, conforme apurado pelo Guararema News, o cão pertencia a um dos envolvidos. O fato agrava ainda mais a situação, já que o tutor tem responsabilidade legal e moral sobre a integridade do animal. A informação amplia a indignação e reforça a gravidade do caso.
Indícios de queda e violência
A Guarda Ambiental recolheu o corpo do animal e o encaminhou à Delegacia de Polícia. O Instituto Geral de Perícias (IGP) foi acionado para realizar os procedimentos técnicos.
Uma médica veterinária do Instituto Itajaí Sustentável (INIS), que acompanhou a ocorrência, realizou análise preliminar ainda no local. A profissional identificou escoriações na região da boca, queixo e palato, além de sangramento. As lesões são compatíveis com possível queda de altura, o que reforça a versão apresentada pelas testemunhas.
Crime com pena prevista em lei
A Polícia Militar apresentou a ocorrência à autoridade policial, que agora conduz as investigações e deve adotar as medidas cabíveis.
A legislação brasileira prevê punição rigorosa para casos de maus-tratos contra cães e gatos. A Lei Federal 9.605/98, alterada em 2020, estabelece pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa e proibição da guarda, quando houver morte do animal.
Enquanto a investigação avança, o caso reacende um debate urgente: até quando episódios de violência extrema contra animais continuarão se repetindo? Depois do choque causado pelo caso “Orelha”, Santa Catarina volta a enfrentar uma realidade que exige resposta firme das autoridades e reflexão da sociedade.

