
Após dois dias de julgamento, o Tribunal do Juri da comarca de Capinzal, em Santa Catarina, condenou a 20 anos e 24 dias de prisão a pedagoga Claudia Tavares Hoeckler, de 42 anos. Ela confessou ter assassinado o marido Valdemir Hoeckler, de 43 anos, em novembro de 2022. Além disso, o crime ganhou notoriedade e chocou a comunidade de Lacerdópolis, onde o casal residia. A Polícia encontrou o corpo da vítima somente cinco dias após a morte, escondido num freezer da casa. Confira o momento em que a juiza lê a sentença:
A sentença foi lida por volta das 21h desta sexta-feira (29) pela juiza Jessica Evelyn Campos Figueiredo Neves. A pena de 20 anos foi exatamente o que pediu a promotoria. Os promotores, inclusive, utilizaram de um recurso curioso para convencer os jurados. Eles trouxeram para o palco do juri, que aconteceu na Câmara de Vereadores, de Capinzal, o próprio freezer onde Claudia escondeu o corpo do marido.
A mulher trabalhava como vendedora de blocos de concreto durante o dia e, à noite, atuava como cozinheira em um restaurante. Na noite do crime, ela deu um comprimido de sonífero ao marido. Dessa forma, quando ele adormeceu, ela o asfixiou com uma sacola plástica de supermercado e escondeu o corpo no freezer da cozinha.
Corpo do marido no freezer
No mesmo dia, Claudia procurou a delegacia e registrou o desaparecimento de Valdenir. Mas ela foi presa cinco dias depois, quando caiu em contradição e acabou confessando o crime. Ela ficou atrás das grades por nove meses, até agosto de 2023. Como Claudia colaborou com as investigações, a Justiça de Santa Catarina lhe concedeu o direito de aguardar o julgamento em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.
No final de maio deste ano, mais uma reviravolta no caso. Após o Ministério Público recorrer, o STJ determinou o retorno dela à prisão. Dessa forma, no dia 31, ela se entregou à Penitenciária Feminina de Chapecó. “Vou fazer o que a Justiça determinou”, disse a assassina em um vídeo postado nas redes sociais momentos antes de se apresentar.
Abusos desde a infância
À Justiça, Cláudia alegou que matou o marido após anos de agressões físicas, estupros e violência psicológica. Conforme seu depoimento, Valdemir a espancava, inclusive com a filha no colo, e a estuprava enquanto a enforcava. Disse ainda que viveu um ciclo de abusos desde a infância e que o marido foi seu último agressor.

Duas semanas antes do crime, ele a teria agredido com um tapa no rosto em público, durante uma confraternização, o que teria sido o estopim para a decisão de matá-lo. Cláudia afirmou que, após o homicídio, sentiu-se “mais livre do que nunca”.
Claudia foi pronunciada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado – por asfixia e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima –, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.


Nesse outro vídeo que circula nas redes sociais, as imagens mostram Claudia Tavares chegando na Câmara de Vereadores de Capinzal na manhã desta sexta, para enfrentar seu segundo dia de julgamento: Confira:

