
O julgamento da mulher acusada de matar o marido e esconder o corpo num freezer, que iniciou na quinta-feira (28) em Capinzal, no meio Oeste catarinense, teve sua sessão suspensa por volta das 23h do mesmo dia. O Tribunal do Júri reinicia nesta sexta (29), às 8h, no mesmo local, a Câmara de Vereadores da cidade. A previsão é de que a sentença seja lida até o início da noite.
O crime, que ocorreu em novembro de 2022 em Lacerdópolis, a 18 quilômetros de Capinzal, chocou a população pela frieza e premeditação. A pedagoga Cláudia Tavares Hoeckler, de 42 anos, confessou o assassinato do próprio marido. A polícia encontrou o corpo em um freezer na casa onde o casal residia.
A mulher trabalhava como vendedora de blocos de concreto durante o dia e, à noite, atuava como cozinheira em um restaurante. Na noite do crime, ela deu um comprimido de sonífero ao marido, Valdemir Hoeckler, de 43 anos. Quando ele adormeceu, ela o asfixiou com uma sacola plástica de supermercado e escondeu o corpo no freezer da cozinha.
No mesmo dia, Claudia procurou a delegacia e registrou o desaparecimento do marido. Mas ela foi presa cinco dias depois, quando caiu em contradição e acabou confessando o crime. Ela ficou atrás das grades por nove meses, até agosto de 2023. Como Claudia colaborou com as investigações, a Justiça de Santa Catarina lhe concedeu o direito de aguardar o julgamento em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.
No final de maio deste ano, mais uma reviravolta no caso. Após o Ministério Público recorrer, o STJ determinou o retorno dela à prisão. No dia 31, ela se entregou à Penitenciária Feminina de Chapecó. “Vou fazer o que a Justiça determinou”, disse a assassina em um vídeo postado nas redes sociais momentos antes de se apresentar.
Cláudia foi descoberta pela polícia por causa de uma contradição envolvendo o freezer da casa. Um vizinho que costumava fazer compras com o casal relatou que, dias antes, o freezer da residência estava vazio. No entanto, ao vistoriar o local, a polícia encontrou o eletrodoméstico repentinamente cheio de produtos congelados, sem que houvesse qualquer registro de compra recente.
Essa incorência chamou a atenção dos investigadores. Ao removerem os alimentos congelados, encontraram o corpo de Valdemir embaixo dos produtos. A polícia concluiu que Cláudia retirou os alimentos do congelador, colocou o corpo ali dentro e depois o cobriu novamente, tentando mascarar o crime.
Abusos desde a infância
À Justiça, Cláudia alegou que matou o marido após anos de agressões físicas, estupros e violência psicológica. Conforme seu depoimento, Valdemir a espancava, inclusive com a filha no colo, e a estuprava enquanto a enforcava. Disse ainda que viveu um ciclo de abusos desde a infância e que o marido foi seu último agressor.
Duas semanas antes do crime, ele a teria agredido com um tapa no rosto em público, durante uma confraternização, o que teria sido o estopim para a decisão de matá-lo. Cláudia afirmou que, após o homicídio, sentiu-se “mais livre do que nunca”.
Claudia foi pronunciada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado – por asfixia e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima –, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
Na quinta-feira (28), primeiro dia do júri, a organização do Fórum da Comarca distribuiu senhas por ordem de chegada para o público geral e a imprensa, após garantir vagas para os familiares da vítima e da ré. A segurança foi reforçada na entrada com detectores de metais. Também foi preciso que policiais orientrassem o trânsito em frente ao Fórum, devido à enorme movimentação.

