
Governador reeleito coloca infraestrutura no centro do próximo governo, descarta mudanças drásticas no secretariado e confirma Marilisa Boehm na Segurança; Carol De Toni e Carlos Bolsonaro também apresentam prioridades para o Senado
Um dia depois de conquistar a reeleição em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) começou a desenhar os próximos quatro anos de governo. Nesta segunda-feira (5), ele reuniu a chapa majoritária eleita e apresentou prioridades, projetos e decisões políticas para o segundo mandato.
A entrevista coletiva ocorreu na Casa 22, no Jardim Atlântico, em Florianópolis. Jorginho participou ao lado do vice-governador eleito Adriano Silva (Novo) e dos senadores eleitos Carol De Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL).
Durante a coletiva, o governador colocou as grandes obras de infraestrutura entre as principais prioridades. Além disso, confirmou decisões para o primeiro escalão, prometeu ampliar ações de combate à violência contra a mulher e descartou uma grande reforma administrativa.
Ao mesmo tempo, o grupo já virou a chave para o segundo turno da eleição presidencial. A Casa 22 continuará aberta e funcionará como ponto de mobilização da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em Santa Catarina.
Jorginho vai mudar o governo?
Apesar de ampliar sua força política nas urnas, Jorginho não pretende promover mudanças drásticas no governo.
Questionado sobre a possibilidade de abrir espaço para partidos e lideranças que participaram da aliança eleitoral, o governador afirmou que poderá realizar ajustes pontuais. Entretanto, descartou qualquer divisão de secretarias entre aliados.
“Não tenho intenção de fazer mudanças drásticas em absoluto”, afirmou.
Além disso, Jorginho reforçou que não assumiu compromissos para entregar espaços do governo a partidos específicos. Segundo ele, a aliança teve como objetivo construir um projeto político para Santa Catarina.
Por isso, o governador pretende preservar boa parte da equipe atual.
“Time que está ganhando não se mexe”, resumiu.
Ainda assim, Jorginho destacou áreas que ganharam espaço durante sua administração, como Ciência, Tecnologia e Inovação, Proteção e Defesa Civil e Turismo.
Agora, segundo ele, o objetivo será acelerar projetos e ampliar as entregas.
Quais serão as prioridades do segundo mandato?
A infraestrutura ocupará o centro da agenda do próximo governo.
Entre os projetos destacados por Jorginho está a Via Mar. O governador classificou a obra como estratégica e ressaltou a complexidade do projeto, que prevê intervenções em áreas de solo mole, além de viadutos, pontes e túneis.
Ao mesmo tempo, Jorginho pretende aumentar a pressão por investimentos nas rodovias federais que cortam Santa Catarina.
Nesse sentido, ele destacou a duplicação da BR-280, no Norte do Estado, e da BR-470, no Vale do Itajaí. Também citou a BR-282 e voltou a defender uma solução definitiva para o Morro dos Cavalos, na BR-101.
Além das rodovias, o governador quer colocar as ferrovias novamente no debate.
Uma das propostas envolve uma ligação ferroviária entre Chapecó e Correia Pinto e, posteriormente, a conexão com os portos catarinenses.
Dessa forma, Jorginho pretende ampliar a capacidade logística do Estado e preparar Santa Catarina para sustentar o crescimento econômico nas próximas décadas.
Energia e voos regionais também entram nos planos
O governo também pretende acelerar a expansão da energia trifásica.
Segundo Jorginho, Santa Catarina já implantou cerca de mil quilômetros e iniciou uma nova etapa para executar outros mil quilômetros.
A estratégia busca melhorar a qualidade da energia no interior, permitir a expansão das empresas já instaladas e, consequentemente, criar condições para atrair novos investimentos.
Além disso, o governador quer fortalecer os voos regionais.
Jorginho afirmou que o Estado já iniciou esse processo e pretende utilizar mecanismos de incentivo para consolidar novas rotas nos próximos anos.
Com isso, o governo busca conectar melhor as diferentes regiões catarinenses e fortalecer o desenvolvimento econômico fora dos grandes centros.
Como Santa Catarina será preparada para os próximos 30 anos?
Jorginho deixou claro que seu projeto não envolve apenas concreto, asfalto, pontes e túneis.
Para o governador, Santa Catarina também precisa investir nas pessoas.
Por isso, ele colocou a formação profissional entre as prioridades do segundo mandato. Segundo Jorginho, a expectativa é formar 50 mil jovens neste ano por meio do ensino médio técnico profissionalizante, em parceria com o Senai.
Além disso, o governador destacou os investimentos no ensino superior e defendeu a continuidade das políticas de qualificação.
“Quando eu digo que quero preparar Santa Catarina para os próximos 30 anos, eu quero preparar com gente. Gente competente, gente preparada, gente entusiasmada”, afirmou.
Ao mesmo tempo, Jorginho pretende ampliar os investimentos em tecnologia e inovação.
O governador citou o Sapiens Park como exemplo e destacou a participação crescente do setor tecnológico na economia catarinense.
Portanto, o planejamento combina infraestrutura, qualificação profissional, inovação e atração de investimentos.
Governo quer fortalecer portos e logística
A estrutura portuária também terá papel estratégico.
Atualmente, segundo Jorginho, Santa Catarina possui seis portos e poderá chegar a oito. Para o governador, essa estrutura representa uma vantagem importante na disputa por novos investimentos.
Por isso, o governo pretende integrar portos, rodovias, ferrovias, aeroportos e energia dentro de uma estratégia de desenvolvimento.
Jorginho também quer levar novos empreendimentos para regiões que ainda precisam acelerar o crescimento econômico.
Nesse cenário, ele destacou especialmente o Planalto Serrano e o Planalto Norte.
A intenção, segundo o governador, é descentralizar os investimentos e ampliar as oportunidades de emprego e renda no interior.
Santa Catarina poderá criar fundo para atrair empresas
As mudanças provocadas pela reforma tributária também preocupam o governo catarinense.
Diante desse cenário, Jorginho revelou que sua equipe já estuda a criação de um fundo soberano.
Na prática, o mecanismo ajudaria Santa Catarina a continuar disputando grandes investimentos mesmo diante da redução gradual dos atuais incentivos tributários.
O fundo poderia apoiar, por exemplo, a implantação de empresas, a disponibilização de terrenos e outros mecanismos de incentivo.
Assim, o Estado tentaria preservar sua competitividade diante da nova realidade tributária brasileira.
Qual será o papel de Adriano Silva?
Adriano Silva não pretende assumir uma secretaria específica no segundo mandato.
O vice-governador eleito afirmou que trabalhará diretamente ao lado de Jorginho e ajudará o governo em diferentes projetos.
Nesse sentido, Adriano pretende aproveitar sua experiência como empresário e administrador para contribuir principalmente com iniciativas ligadas ao desenvolvimento econômico e ao empreendedorismo.
“A ideia não é assumir uma secretaria específica, mas auxiliar o governador em tudo aquilo que for necessário”, afirmou.
Além disso, Adriano destacou a união construída durante a campanha. Segundo ele, a estratégia de manter Jorginho, Carol, Carlos e o próprio vice atuando conjuntamente fortaleceu a chapa e contribuiu para o resultado eleitoral.
Marilisa Boehm comandará a Segurança Pública
Jorginho também confirmou uma decisão importante para o segundo mandato.
A atual vice-governadora Marilisa Boehm permanecerá no governo e assumirá a Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Dessa maneira, Marilisa continuará integrando o primeiro escalão e levará para a nova função parte das pautas que conduziu durante o primeiro mandato.
Entre elas está o enfrentamento à violência contra a mulher.
O que Jorginho pretende fazer contra a violência às mulheres?
O governador prometeu ampliar as políticas de proteção às mulheres.
“A pauta da mulher não é uma pauta de vez em quando, ela é todo dia”, afirmou.
Entre as medidas, Jorginho destacou o fortalecimento dos mecanismos de atendimento às vítimas e a ampliação das Salas Lilás nas delegacias.
Além disso, o governador defendeu políticas que garantam independência financeira às mulheres.
Nesse ponto, citou linhas de crédito destinadas ao empreendedorismo feminino e afirmou que o governo continuará incentivando mulheres que desejam abrir ou ampliar seus próprios negócios.
Ao mesmo tempo, Jorginho defendeu punições mais duras para autores de feminicídio e outros crimes violentos.
Para ele, o enfrentamento precisa reunir prevenção, proteção, autonomia financeira e endurecimento da legislação.
João Rodrigues e Esperidião Amin terão espaço no governo?
Jorginho adotou um tom direto ao responder sobre a possibilidade de incorporar adversários derrotados nas eleições ao próximo governo.
O governador descartou espaço para João Rodrigues (PSD) e Esperidião Amin (PP).
“O João Rodrigues não terá emprego no meu governo e nem o senador Esperidião”, declarou.
Por outro lado, Jorginho afirmou que políticos de outras legendas que permaneceram ao lado de seu projeto durante a campanha continuarão sendo tratados como parceiros.
Segundo ele, quem participou do projeto vencedor será valorizado e respeitado.
Entretanto, o governador voltou a descartar qualquer loteamento político do Executivo.
“O governo é um todo, está funcionando bem e vai continuar funcionando assim”, afirmou.
O que Carol De Toni pretende defender no Senado?
Enquanto Jorginho apresentou as prioridades estaduais, Carol De Toni projetou sua atuação em Brasília.
A senadora eleita colocou a revisão do Pacto Federativo entre suas principais bandeiras.
Segundo Carol, Santa Catarina precisa receber uma parcela maior dos recursos que envia para a União.
Além disso, ela pretende cobrar investimentos federais nas rodovias catarinenses e defender uma reforma administrativa.
Na economia, Carol também defendeu mudanças na reforma tributária e medidas para reduzir o peso dos impostos.
Ao mesmo tempo, a senadora eleita colocou a relação entre Senado e Supremo Tribunal Federal no centro de sua futura atuação.
Carol afirmou que ministros que apresentarem indícios de crime de responsabilidade devem responder aos mecanismos previstos pela Constituição.
Segundo ela, caberá ao novo Senado exercer com mais força sua função constitucional de fiscalização.
Carlos Bolsonaro mira segurança e redução da burocracia
Carlos Bolsonaro também apresentou algumas das bandeiras que pretende levar para Brasília.
O senador eleito defendeu liberdade de expressão, liberdade de imprensa, segurança jurídica e redução da burocracia.
Na economia, Carlos afirmou que pretende discutir mudanças na legislação para acelerar a implantação de grandes empreendimentos.
Segundo ele, atualmente determinados investimentos enfrentam processos que podem levar anos até a liberação.
Por isso, Carlos defende mudanças legais que reduzam prazos e facilitem novos negócios.
Além disso, a segurança pública deverá ocupar espaço importante em seu mandato.
Carlos defendeu penas mais duras para criminosos e medidas mais rigorosas contra organizações criminosas.
Assim como Carol, ele também destacou a nova composição do Senado como uma oportunidade para avançar pautas defendidas pela direita.
Chapa eleita já entra na campanha presidencial
A vitória estadual não encerrou a mobilização política do grupo.
Pelo contrário. Jorginho confirmou que a Casa 22 continuará funcionando durante o segundo turno da eleição presidencial.
Agora, o espaço servirá como base para a campanha de Flávio Bolsonaro em Santa Catarina.
Jorginho afirmou que pretende participar diretamente dessa mobilização. Além disso, destacou que uma eventual vitória presidencial poderá fortalecer a relação entre Santa Catarina e o governo federal, principalmente na execução das grandes obras de infraestrutura.
Carol De Toni também colocou o segundo turno como prioridade imediata.
Carlos Bolsonaro, por sua vez, afirmou que já iniciou conversas com deputados catarinenses para reorganizar a mobilização no Estado.
Portanto, enquanto Jorginho começa a estruturar o segundo mandato, a chapa eleita mantém a campanha nas ruas.
Segundo mandato terá foco em grandes projetos
Ao longo da coletiva, Jorginho repetiu uma ideia central: o primeiro mandato organizou áreas do Estado, enquanto o segundo deverá mirar projetos maiores.
Infraestrutura, educação profissional, tecnologia, energia, portos, ferrovias, rodovias, desenvolvimento econômico e segurança aparecem entre os principais eixos apresentados pelo governador.
Além disso, Jorginho aposta na presença de Carol De Toni e Carlos Bolsonaro no Senado para aumentar a pressão política de Santa Catarina em Brasília.
Adriano Silva, por outro lado, deverá atuar diretamente na gestão e ajudar a transformar projetos em entregas.
Com a eleição encerrada no Estado, Jorginho agora mira os próximos quatro anos e promete acelerar o governo.
“Agora temos de olhar para frente e projetar Santa Catarina para enfrentar os desafios da modernidade e da inovação”, afirmou o governador.
