
A Justiça catarinense agendou para o dia 28 de agosto o julgamento da pedagoga Cláudia Tavares Hoeckler, de 42 anos, que confessou o assassinato do próprio marido. O crime aconteceu em novembro de 2022, na cidade de Lacerdópolis, no Meio Oeste catarinense, a cerca de 175 quilômetros de Chapecó. A polícia encontrou o corpo em um freezer na casa onde o casal residia.
Claudia trabalhava como vendedora de blocos de concreto durante o dia e, à noite, atuava como cozinheira em um restaurante. Na noite do crime, ela deu um comprimido de sonífero ao marido, Valdemir Hoeckler, de 43 anos. Quando ele adormeceu, ela o asfixiou com uma sacola plástica de supermercado e escondeu o corpo no freezer da cozinha.
Claudia foi presa dias após o crime, quando caiu em contradição na delegacia e acabou confessando. No entanto, como ela colaborou com as investigações, a Justiça de Santa Catarina lhe concedeu em agosto de 2023 o direito de aguardar o julgamento em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.
No final de maio deste ano, mais uma reviravolta no caso. Após o Ministério Público recorrer, o STJ determinou o retorno dela à prisão. No dia 31, ela se entregou à Penitenciária Feminina de Chapecó. “Vou fazer o que a Justiça determinou”, disse a assassina em um vídeo postado nas redes sociais momentos antes de se apresentar.
Cláudia foi descoberta pela polícia por causa de uma contradição envolvendo o freezer da casa. Os investigadores procuravam por Valdemir, considerado desaparecido, conforme relato da esposa. Um vizinho que costumava fazer compras com o casal relatou que, dias antes, o freezer da residência estava vazio. No entanto, ao vistoriar o local, a polícia encontrou o eletrodoméstico repentinamente cheio de produtos congelados, sem que houvesse qualquer registro de compra recente.
Essa incorência chamou a atenção dos investigadores. Ao removerem os alimentos congelados, encontraram o corpo de Valdemir dentro do freezer havia cinco dias. A polícia concluiu que Cláudia retirou os alimentos do congelador, colocou o corpo ali dentro e depois o cobriu com os produtos, tentando mascarar o crime.
Abusos desde a infância
À Justiça, Cláudia alegou que matou o marido após anos de agressões físicas, estupros e violência psicológica. Conforme seu depoimento, Valdemir a espancava, inclusive com a filha no colo, e a estuprava enquanto a enforcava. Disse ainda que viveu um ciclo de abusos desde a infância e que o marido foi seu último agressor.
Duas semanas antes do crime, ele a teria agredido com um tapa no rosto em público, durante uma confraternização, o que teria sido o estopim para a decisão de matá-lo. Cláudia afirmou que, após o homicídio, sentiu-se “mais livre do que nunca”.
O júri está marcado para o dia 28 de agosto de 2025, com início às 9h, na Câmara Municipal de Vereadores de Capinzal. O sorteio dos jurados que comporão o Conselho de Sentença será realizado no dia 7 de agosto, conforme os trâmites legais do Tribunal do Júri.
Claudia foi pronunciada pelos crimes de homicídio duplamente qualificado – por asfixia e pelo uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima –, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Os fatos ocorreram em novembro de 2022, em Lacerdópolis.

