
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, afirmou nesta terça-feira (09) que quem recebeu a vacina contra a dengue há mais de 21 dias continua protegido contra a doença.
No início da semana, o Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a aplicação do imunizante para investigar casos graves registrados após a vacinação.
Durante entrevista à GloboNews, Kallás afirmou que os vacinados podem confiar nos resultados observados durante os estudos clínicos. Segundo ele, a vacina mantém a proteção prometida contra a dengue e suas formas mais graves.
Butantan reforça eficácia do imunizante
Além disso, Kallás destacou que a vacina demonstrou eficácia de 65% na prevenção da dengue durante cinco anos após a aplicação. Os estudos também apontaram proteção de 80% contra os casos graves da doença.
Por isso, o diretor afirmou que as pessoas que já completaram 21 dias da vacinação não precisam se preocupar com a suspensão temporária da campanha.
Segundo ele, somente após esse período o organismo desenvolve plenamente a resposta imunológica observada nos testes clínicos.
Ministério orienta atenção para vacinados recentes
Enquanto as investigações avançam, o Ministério da Saúde orienta acompanhamento para quem recebeu a vacina há menos de 21 dias.
Nesse período, os vacinados devem procurar atendimento médico e comunicar as autoridades de saúde caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade ou sinais de desidratação.
A orientação busca ampliar o monitoramento e ajudar os órgãos de saúde a identificar possíveis reações adversas.
Casos graves levaram à suspensão preventiva
O Ministério da Saúde suspendeu a aplicação da vacina na segunda-feira (08) após identificar eventos adversos considerados raros durante o monitoramento pós-vacinação.
Até 30 de maio, cerca de 500 mil pessoas receberam o imunizante. Nesse grupo, o sistema de farmacovigilância registrou 3.703 notificações de eventos adversos.
Entre os registros, 42 casos apresentaram sinais de alerta e foram classificados como graves. Três pacientes desenvolveram quadros considerados muito graves. Uma mulher precisou ser internada em UTI e se recuperou. Outros dois pacientes morreram.
Apesar disso, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que as investigações ainda não encontraram evidências suficientes para relacionar diretamente os casos graves e as mortes à vacina.
Anvisa, Ministério e Butantan investigam casos
Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan conduzem uma investigação conjunta para esclarecer os episódios registrados.
Além disso, estados e municípios devem reforçar a busca ativa por possíveis reações adversas entre os vacinados. Paralelamente, o Butantan continuará realizando estudos e fornecendo informações às autoridades sanitárias.
Segundo Kallás, a análise precisa avançar com rapidez e rigor científico. Somente após a conclusão das investigações, as autoridades decidirão sobre a retomada da vacinação.
Enquanto isso, o instituto mantém a confiança na vacina e reforça que os dados disponíveis continuam demonstrando sua importância no combate à dengue no Brasil.

