
O câncer poderá afetar direta ou indiretamente 92% da população mundial até 2050, segundo o Relatório Global sobre o Status do Câncer 2026, divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O levantamento considera tanto as pessoas que receberão o diagnóstico da doença quanto o impacto sobre familiares próximos. A projeção acompanha o crescimento esperado dos casos nas próximas décadas, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelas mudanças demográficas.
Casos devem crescer nas próximas décadas
De acordo com a OMS, uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida. Em 2024, mais de 20 milhões de pessoas receberam o diagnóstico da doença em todo o mundo. Até 2050, esse número pode alcançar 35 milhões de novos casos por ano.
A organização estima um aumento de 66,7% nos diagnósticos nas próximas décadas. Além disso, a Ásia deve concentrar a maior parte desse crescimento, já que atualmente reúne 53% dos casos registrados no planeta devido ao tamanho da população.
Outro dado chama atenção. Entre 1990 e 2019, os casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos cresceram 79,1% em nível global.
Desigualdade reduz chances de sobrevivência
Embora o câncer seja cada vez mais comum, as chances de sobrevivência ainda variam conforme o acesso aos serviços de saúde.
Nos países de alta renda, onde o diagnóstico costuma ocorrer mais cedo, a taxa de sobrevida em cinco anos para câncer de mama e câncer infantil supera 85%. Em contrapartida, nos países de baixa renda, esse índice permanece abaixo de 45%.
Além disso, a OMS projeta que a desigualdade deve aumentar. Até 2050, os países de baixa renda podem registrar crescimento de 133,3% nos casos, enquanto os de alta renda devem apresentar aumento de 46,9%.
O relatório também mostra que apenas 12 países estão no caminho para cumprir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) de reduzir em um terço as mortes prematuras por câncer até 2030. Em outros 48 países, a tendência aponta para o aumento da mortalidade.
Quase metade dos casos pode ser evitada
Segundo a OMS, cerca de 40% dos novos casos poderiam ser prevenidos com a redução da exposição a fatores de risco modificáveis.
A entidade destaca que o consumo de tabaco, bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados continua entre os principais desafios para a prevenção. Além disso, afirma que ações de marketing e lobby desses setores dificultam a implementação de políticas públicas mais eficazes.
OMS pede mais investimentos
O relatório também destaca os impactos emocionais da doença. Mais da metade dos pacientes relata problemas de saúde mental após receber o diagnóstico, enquanto cerca de 69% convivem com fadiga durante o tratamento.
Diante desse cenário, a OMS defende a ampliação dos investimentos em prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e formação de profissionais de saúde. Para a organização, as decisões tomadas nos próximos anos serão fundamentais para reduzir desigualdades, aumentar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
O relatório reforça que o avanço dos casos exige planejamento e fortalecimento dos sistemas de saúde para atender à demanda crescente nas próximas décadas.

