
O desaparecimento de Josias Borchardt terminou de forma trágica nesta quinta-feira (6). O morador de Garuva, no Norte de Santa Catarina, foi encontrado sem vida às margens do Rio São João, três dias após sumir ao tentar atravessar o rio em meio à enchente. Populares localizaram o corpo no meio da tarde e, em seguida, acionaram o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC). Assim, a operação chegou ao fim, depois de três dias de esforço, solidariedade e dedicação.
Operação de busca mobilizou forças e tecnologia
As buscas começaram logo na manhã de segunda-feira (4) e seguiram de forma ininterrupta até o encerramento. Desde o primeiro momento, mais de 25 profissionais atuaram na missão, entre bombeiros militares, comunitários e agentes da Defesa Civil. A cada novo dia, as equipes ampliavam a área de cobertura, traçavam novas rotas e reforçavam o planejamento.
A coordenação ficou sob responsabilidade da OBM de Garuva, em parceria com a unidade de Itajaí. Assim, as equipes dividiram o trabalho em frentes terrestres, aquáticas e aéreas, o que acelerou o avanço e garantiu maior eficiência.
Durante a operação, os bombeiros utilizaram seis viaturas (AR-321, AR-270, ATP-400, AR-173, AR-211 e AR-222), uma embarcação, um drone da Defesa Civil e um binômio (homem e cão de busca). Além disso, percorreram cerca de 12 quilômetros do Rio São João, entre Garuva Acima e São João Abaixo. Enquanto os botes faziam buscas nas margens, os drones sobrevoavam as áreas alagadas, o que permitiu identificar remansos e pontos de acúmulo de galhos.
Durante a varredura, as equipes localizaram a mochila, as roupas e o celular de Josias. A partir dessa descoberta, concentraram os esforços na área onde ele havia sido visto pela última vez. Por fim, na tarde de quinta-feira, moradores encontraram o corpo e avisaram as autoridades. Os bombeiros confirmaram a identidade e encerraram oficialmente a operação.
Como tudo começou
Segundo relato da esposa, Josias saiu de casa por volta das 6h30 de domingo (3) para colher fumo em uma área rural isolada, cercada por mata fechada e cortada por dois rios. Ao longo do dia, a chuva se intensificou e o nível da água subiu rapidamente.
Por volta das 17h, ele enviou um vídeo mostrando a correnteza. No registro, explicou que o rio havia transbordado e que tentaria atravessar ou seguir margeando até alcançar a BR-376, a cerca de três quilômetros dali. Embora conhecesse bem a região, demonstrou preocupação e afirmou que, se não conseguisse voltar antes do anoitecer, esperaria o amanhecer para tentar novamente.
Logo depois, o sinal de celular caiu e o contato foi perdido. Diante do silêncio e das condições perigosas, a esposa acionou as autoridades, que iniciaram as buscas já na manhã seguinte.
Força-tarefa uniu comunidade e salvamento
Durante os três dias de operação, a comunidade de Garuva acompanhou cada atualização com ansiedade. Muitos moradores ofereceram ajuda, forneceram informações e auxiliaram os bombeiros com apoio logístico. Essa mobilização espontânea demonstrou o quanto a solidariedade faz diferença em momentos de crise.
Além disso, o trabalho técnico das equipes se destacou pela coordenação e pelo uso de tecnologia. Mesmo sob chuva constante e terreno alagado, os bombeiros mantiveram o foco. A combinação entre preparo, cooperação e estratégia permitiu avançar com rapidez, mesmo diante das adversidades.
Um desfecho que comoveu a cidade
No fim da tarde de quinta-feira (6), o corpo de Josias foi encontrado. O encerramento das buscas trouxe alívio e tristeza ao mesmo tempo. Embora o resultado tenha sido doloroso, a operação evidenciou a força da empatia e da dedicação coletiva. Cada pessoa envolvida demonstrou que, diante da tragédia, o compromisso com a vida e com o próximo sempre fala mais alto.

