
Santa Catarina está entre os estados em que a votação expressiva de candidatos do PL contribuiu para a eleição de outros nomes da mesma legenda nas eleições de domingo (4). O fenômeno dos chamados puxadores de votos ganhou destaque nacional, principalmente pelo desempenho de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), que ultrapassaram a marca de três milhões de votos cada.
No cenário de Santa Catarina, os principais destaques são as deputadas Julia Zanatta, eleita para a Câmara dos Deputados, e Ana Campagnolo, que conquistou mais um mandato na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). Ambas tiveram votações expressivas e contribuíram para o desempenho eleitoral do partido.
Julia Zanatta recebeu 560.223 votos para deputada federal. Com esse resultado, ela ficou entre os candidatos mais votados do país para a Câmara e alcançou uma votação equivalente a 2,12 vezes o quociente eleitoral catarinense, conforme os dados do levantamento.
Além disso, a votação da parlamentar correspondeu a aproximadamente 36% dos votos do PL no estado. Nesse cenário, Daniel Freitas, também do partido, aparece entre os nomes que teriam se beneficiado do desempenho da correligionária, com 76.458 votos.
Entretanto, o resultado evidencia uma particularidade do sistema proporcional: candidatos com votações individuais menores podem conquistar cadeiras, enquanto concorrentes de outras legendas, mesmo com mais votos, ficam de fora da composição final.
Ana Campagnolo também impulsiona o PL em Santa Catarina
Na disputa pelas vagas estaduais, Ana Campagnolo obteve 387.523 votos, resultado que correspondeu a 3,63 vezes o quociente eleitoral e a 25% da votação do PL, segundo o levantamento.
A votação contribuiu para o desempenho da legenda na eleição para a Alesc. Entre os candidatos apontados como beneficiados estão Chica do Eskudlark, que recebeu 39.929 votos, e Marcius Machado, com 37.061.
Por outro lado, o levantamento cita Gean Loureiro, do União Brasil, que obteve 37.804 votos, entre os candidatos que ficaram de fora. Matheus Cadorin, do Novo, também aparece na relação, com 22.776 votos.
Assim, o resultado catarinense ilustra como a soma dos votos de uma legenda pode influenciar a distribuição das cadeiras. A votação individual tem peso, mas não determina sozinha quem será eleito.
Nikolas Ferreira lidera o fenômeno nacional
Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira foi o principal puxador de votos do país. O deputado federal do PL recebeu 3.119.318 votos, estabelecendo um recorde histórico para a disputa da Câmara dos Deputados.
Segundo o levantamento, sua votação correspondeu a 68% dos votos do partido no estado e foi suficiente para impulsionar oito correligionários citados na análise: Fabinho Ramalho, Thiago Ganem, Delegada Ione, Rodrigo Tavares, Lincoln Portela, Subtenente Gonzaga, Junio Amaral e Sargento Mello-Casal.
O desempenho de Nikolas demonstra a dimensão que uma candidatura popular pode alcançar dentro do sistema proporcional. Além de garantir a própria eleição, uma votação elevada amplia o total de votos da legenda e pode favorecer outros concorrentes.
São Paulo também tem votação recorde
Em São Paulo, Lucas Pavanato, do PL, recebeu 3.038.438 votos, a segunda maior votação da história para deputado federal, conforme os dados divulgados após a apuração.
O resultado fortaleceu o partido no maior colégio eleitoral do país. De acordo com o levantamento, Eduardo Cury, Wesley Cezar Lelinho e Gil Diniz foram eleitos na esteira do desempenho de Pavanato.
Já a deputada Erika Hilton, do PSOL, recebeu 1.596.472 votos e contribuiu para a eleição de Sônia Guajajara, que obteve 54.207 votos. O caso mostra que o fenômeno não se restringe ao PL, embora o partido concentre a maior parte dos exemplos apresentados.
Outros estados também registram puxadores de votos
O fenômeno aparece ainda em diferentes regiões do país. No Ceará, André Fernandes (PL) recebeu 684.372 votos e ajudou a fortalecer a candidatura de Carmelo Neto, segundo o levantamento.
No Rio Grande do Sul, Maurício Marcon (PL) obteve 379.834 votos e aparece associado à eleição de Perondi, enquanto Alceu Moreira (MDB), com 217.208 votos, contribuiu para o resultado de Vilmar Zanchin.
Já no Rio de Janeiro, diferentes legendas tiveram candidatos que ajudaram a ampliar a representação partidária. Entre os exemplos estão Márcio Canella, do União Brasil, Renata Souza, do PSOL, e Dani Balbi, do PCdoB.
Como funciona o efeito puxador de votos
Nas eleições para deputado federal e deputado estadual, o Brasil utiliza o sistema proporcional. Nesse modelo, os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas entram no cálculo da distribuição das cadeiras, conforme as regras eleitorais.
Por isso, uma candidatura com votação muito elevada pode aumentar o número de vagas conquistadas pelo partido ou pela federação. Depois, a distribuição dessas vagas segue os critérios legais, que também consideram a votação individual dos concorrentes.
Dessa forma, o chamado efeito puxador de votos não significa que um candidato transfira diretamente seus votos para outro. Na prática, o desempenho expressivo ajuda a compor a votação partidária e pode abrir caminho para a eleição de correligionários que, individualmente, receberam menos votos do que candidatos de outras legendas.
O resultado de 2026 reforça o peso das candidaturas de grande alcance eleitoral, especialmente em partidos com forte presença nacional. Em Santa Catarina, os desempenhos de Julia Zanatta e Ana Campagnolo colocam o estado entre os exemplos relevantes desse mecanismo.

