Região Joinville / Jaraguá do Sul

Partido Novo pede cassação de vereador por quebra de decoro

Palavras de baixo calão, tumultos e intimidações sustentam a denúncia

Partido Novo pede cassação de vereador por quebra de decoro
Foto: Reprodução

A crise política na Câmara de Vereadores de Joinville (CVJ) ganhou um capítulo decisivo nesta segunda-feira (2). Os diretórios municipal e estadual do Partido Novo formalizaram um pedido de cassação do mandato do vereador Cleiton Profeta (PL) por quebra de decoro parlamentar. O documento baseia-se em um histórico de condutas agressivas e em um episódio recente que quase terminou em agressão física.

Cassação teve como estopim tentativa de intimidação

De acordo com o pedido, o fato mais grave ocorreu na última semana durante uma reunião na sala VIP da Casa. Um boletim de ocorrência registrado pelo vereador Henrique Deckmann (MDB) detalha que Profeta teria avançado de forma intimidatória, “encurralando” o colega, que é idoso, contra a parede.

Nesse sentido, a denúncia afirma que a agressão física só não ocorreu porque o vereador Lucas Souza (Republicanos) interveio e segurou o parlamentar do PL. Para o Novo, a atitude feriu a dignidade da pessoa idosa e demonstrou uma total incapacidade de convivência democrática.

Ofensas e paralisia no Legislativo

Além do episódio de violência, a denúncia lista uma série de termos de baixo calão utilizados habitualmente por Profeta em sessões e comissões. Palavras como “bunda mole”, “canalhas”, “bosta” e “tanso” constam no processo como prova de que o vereador extrapolou os limites da imunidade parlamentar.

Como consequência, o comportamento do parlamentar tem prejudicado o funcionamento do Legislativo. O texto ressalta que diversas sessões precisaram ser suspensas ou encerradas antecipadamente devido a gritarias e insultos, o que mancha a imagem institucional da Câmara perante a cidade.

Entenda as próximas etapas do processo de cassação

Com o protocolo da denúncia, a Câmara de Vereadores passa a seguir o rito previsto no Regimento Interno. Primeiramente, os parlamentares farão a leitura do documento em plenário e votarão a admissibilidade do pedido, decidindo se abrem o processo ou arquivam a denúncia. 

Dessa forma, se a maioria aprovar o andamento, a Câmara formará uma Comissão Processante, que ficará responsável por reunir provas e ouvir testemunhas. Para, assim, garantir o direito à ampla defesa do vereador Cleiton Profeta.

Por fim, após a conclusão dos trabalhos da comissão, o relatório retorna ao plenário para julgamento final, podendo resultar em penalidades que vão desde advertência por escrito até a perda definitiva do mandato.

Manifestação do vereador

A equipe do Guararema entrou em contato com o vereador Cleinton Profeta. que afirmou que o pedido de cassação apresentado pelo Partido Novo seria uma tentativa de silenciá-lo politicamente, e não resultado de irregularidades administrativas ou corrupção. Segundo ele, o mandato sempre foi marcado por fiscalização e denúncias contra a gestão pública.

Profeta também afirma ter sofrido tentativas anteriores de isolamento político, incluindo articulações internas envolvendo o presidente local do Partido Liberal, Maurício Peixer, e até suposta interferência junto ao governador Jorginho Mello.

Por fim, ele sustenta que não irá recuar, classificando o processo como uma estratégia para impedir suas denúncias e sua atuação independente na Câmara.

Leia o texto do vereador Cleiton Profeta na íntegra:

O Partido NOVO protocolou um pedido de cassação do meu mandato. Não por corrupção. Não por desvio de dinheiro público. Não por qualquer irregularidade administrativa. Querem me cassar porque falo a verdade e não me calo!
Meu mandato sempre foi pautado pela fiscalização firme e pela defesa do cidadão que paga impostos. Denunciar irregularidades, cobrar explicações e enfrentar o sistema nunca foi confortável, e parece que alguns vereadores e o Prefeito Adriano Silva, preferem um Legislativo silencioso, submisso e sem questionamentos.
Agora tentam transformar meu posicionamento em “quebra de decoro”, como se indignação diante de problemas reais fosse crime. Curiosamente, ficam indignados com palavras, mas não com pacientes abandonados em hospital, obras atrasadas ou dinheiro público desperdiçado.
Esse pedido de cassação não é sobre decoro. É uma tentativa de calar um vereador independente.
Durante todo meu mandato, fizeram de tudo para tentar me silenciar. Por diversas vezes desligaram meu microfone, desrespeitando o Regimento Interno e impedindo que eu me manifestasse. Tratoraram projetos, aprovaram criação de cargos, aumentos ilegais para o alto escalão e diversas outras manobras que denunciei publicamente.
Quando perceberam que eu não iria recuar, partiram para a intimidação política. Tentaram me isolar e chegaram a articular, junto ao presidente do PL de Joinville, Maurício Peixer, a minha expulsão do partido. Tudo com um único objetivo: me fazer parar de mostrar a verdade.
Não satisfeitos, o próprio prefeito Adriano Silva chegou a pedir ao governador Jorginho Mello que me solicitasse para parar. Uma tentativa clara de interferência na minha atividade parlamentar e na minha independência como vereador.
Não conseguiram.
Agora tentam o último recurso: cassação do meu mandato.
Mas deixo claro: Não vão me intimidar. Não vão me silenciar. E muito menos vão me fazer recuar.
Entrei na política para combater esse sistema, não para fazer parte dele.

Sobre o autor

Morghana Santhiago

Jornalista do Guararema News na região norte de Santa Catarina, cobre principalmente notícias factuais de Joinvile, a maior cidade do estado. Além disso, retrata a política regional e os principais fatos que de alguma forma impactam na vida da comunidade.

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