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TCU cobra Receita Federal por 13 milhões de CPFs irregulares

Auditoria flagrou falhas em dados de óbitos e títulos de eleitor; plano de correção deve sair em 90 dias

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TCU cobra Receita Federal por 13 milhões de CPFs irregulares
Foto: Divulgação / Agência Brasil

O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou que a Receita Federal apresente, em até 90 dias, um plano de ação para corrigir inconsistências na base de dados do CPF. A decisão atende a uma auditoria que revelou um excedente de quase 13,8 milhões de cadastros ativos em relação à população real do país registrada pelo Censo 2022 do IBGE.

Embora os auditores considerem os controles internos da Receita adequados, o relatório aponta distorções graves em pontos críticos do cadastro, o que compromete a segurança e a integridade das informações federais.

Tamanho da divergência dos CPFs

Enquanto o Censo do IBGE contabilizou 203,08 milhões de habitantes no Brasil, a base da Receita Federal registrava 216,84 milhões de CPFs regulares de pessoas nascidas até 2022.

Historicamente, o TCU tolera uma diferença de até 2% para cobrir estrangeiros residentes e brasileiros que moram no exterior. Contudo, o volume atual supera essa margem com folga.

A fiscalização aponta que a principal causa do inflamento da base é a falha na atualização de óbitos, o que mantém cadastros ativos mesmo após a morte do cidadão.

Inflação na lista de centenários

A disparidade aumenta nas faixas etárias mais altas. O caso mais grave se concentra no grupo de pessoas com 100 anos ou mais:

  • O Censo do IBGE aponta a existência de 37,8 mil centenários no país.
  • O cadastro do CPF contém 349,6 mil registros ativos nessa mesma faixa etária.

O número da Receita Federal é 824,6% maior que o dado demográfico real. Apesar do descompasso, o TCU ponderou que o prazo médio para o registro de óbitos melhorou nos últimos anos. O tempo de espera caiu para 29 dias em 2024, devido à integração dos dados dos cartórios a partir de 2017.

Títulos de eleitor inválidos e duplicados

Além das pessoas falecidas com documento ativo, a auditoria localizou falhas na conexão com a Justiça Eleitoral. Dessa forma, o sistema do CPF soma 1,3 milhão de registros com títulos de eleitor inválidos.

Os técnicos também descobriram 163 pares de CPFs diferentes que compartilham o mesmo número de título eleitoral. A regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe esse tipo de duplicidade, e a falha inviabiliza o cruzamento de dados seguro entre as instituições.

Medidas obrigatórias para a Receita

O acórdão do TCU exige que a Receita Federal apresente soluções práticas imediatamente. Assim, o plano deve focar nas seguintes ações:

  • Reduzir o excedente de CPFs ativos para aproximar os dados da realidade do Censo 2022.
  • Sanear o estoque de títulos de eleitor inválidos e corrigir os documentos em duplicidade.
  • Cruzar bases de dados de forma periódica com o TSE, com o Sistema de Informações sobre Mortalidade e com a folha de pagamento do INSS para agilizar a baixa por morte.

Natiele Oliveira

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Natiele Oliveira

A jornalista confirma a presença do Guararema News na cidade de Blumenau, com uma ampla cobertura de tudo o que acontece na região do Vale do Itajaí, uma das mais importantes de Santa Catarina. Atua também em coberturas nacionais, sempre ligada em notícias que possam fazer a diferença na vida dos leitores, como serviços, empregos, concursos e etc...

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