
Faleceu na sexta-feira (9), aos 103 anos, o Padre José Luciano Jacques Penido, considerado o missionário redentorista mais velho do Rio de Janeiro. De acordo com uma nota oficial, ele celebrou sua última missa por volta das 18h, na Comunidade Santo Afonso, na Tijuca, onde residia. O velório ocorreu no sábado (10), na Igreja de Santo Afonso. O sepultamento foi no domingo (11), no Cemitério Provincial Nossa Senhora da Glória, em Juiz de Fora (MG).
Seus pais chamavam-se Henrique Marques da Silveira Penido e Maria José Jacques Penido. Fes zeu batismo no dia 28 de janeiro de 1923, na Paróquia São Gonçalo. Desde pequeno sonhava em ser sacerdote. Na sua infância brincava de fazer pregações das homilias que ouvia nas missas de domingo. Conheceu os missionários redentoristas através das Santas Missões em sua cidade. Padre Atanásio, grande missionário, visitou a casa de seus pais e disse: “esse menino será um redentorista”.
Ingressou no Seminário Redentorista, em Congonhas (MG), aos 11 anos. Em 1941, foi realizar a etapa do noviciado, no Seminário da Floresta, em Juiz de Fora (MG). E professou os Votos Religiosos temporários, na Congregação do Santíssimo Redentor, no dia 02 de fevereiro de 1942.
Padre tinha 78 anos de sacerdócio
No mesmo ano, foi residir no Seminário Santa Teresinha, em Tietê (SP), para cursar a filosofia de 1942 a 1943; e teologia de 1944 a 1946. Ao concluir os estudos, retornou para o Seminário da Floresta, e perpetuou os votos religiosos, em 14 de fevereiro de 1946, e recebeu a ordenação como diácono, no dia 06 de dezembro do mesmo ano.
Sua ordenação presbiteral ocorreu no dia 20 de julho de 1947, na Paróquia São José, na Capital Mineira de Belo Horizonte (MG), tendo como bispo ordenante Dom Antônio dos Santos Cabral, o primeiro arcebispo de Belo Horizonte. Padre Penido, como era chamado entre seus confrades, residiu em diversas comunidades da ex-Província do RJ. Morou na cidade de Congonhas, de 1948 a 1954. E entre 1956 a 1958 foi professor e formador no Seminário, onde ocupou o cargo de diretor da Rádio de Congonhas, e exerceu a função de pároco por um triênio.

Uma história dedicada a Belo Vale
Padre Penido possuía uma voz forte, suas pregações eram tocantes; homem de coração bondoso, caridoso e dinâmico na vida missionária. Exemplo de longevidade e lucidez. Ele deixa um legado de perseverança e entrega a Deus, com 78 anos de sacerdócio e 83 de consagração religiosa. Ele era uma figura histórica e profundamente ligada ao desenvolvimento social, cultural e religioso de Belo Vale.
Seu legado é amplo e imensurável. Entre suas contribuições mais marcantes estão a idealização e a construção do Museu do Escravo e da Biblioteca Municipal Dona Maria José Jacques Penido, cujo acervo de peças históricas e livros foi doado por ele com generosidade. No campo social, o religioso também apoiou o Hospital Henrique Penido e esteve à frente da reforma e ampliação da Vila Vicentina que leva seu nome, garantindo acolhimento e assistência aos que mais precisam.
“Belo Vale perde hoje um homem de fé, de obras e de amor ao próximo. Seu nome e seu legado jamais serão esquecidos. Eu, na condição de Prefeito de Belo Vale e em nome de todos os servidores municipais e também em nome de todo povo belo-valense, manifesto nossa solidariedade aos familiares e amigos de Padre Luciano, rogando a Deus Pai, a quem ele serviu com tanta fidelidade, que o receba em sua glória eterna”, destacou o Prefeito Lapinha.

