Região Brasil

Mais da metade dos brasileiros temem ataque dos EUA ao país

Pesquisa foi divulgada nesta quinta-feira (15), após ataque dos americanos à Venezuela

Autor
Mais da metade dos brasileiros temem ataque dos EUA ao país
Foto: Divulgação / Redes Sociais

Uma parcela significativa da população brasileira teme que os Estados Unidos realizem uma operação militar em território nacional. É o que aponta a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15), ao revelar que 58% dos brasileiros afirmam ter medo de uma intervenção semelhante à conduzida recentemente na Venezuela.

De acordo com o levantamento, o receio domina a opinião pública, enquanto 40% dos entrevistados dizem não acreditar nesse tipo de ação contra o Brasil. Além disso, 2% não souberam ou preferiram não responder, demonstrando incerteza sobre o tema.

Ao mesmo tempo, o estudo expõe uma sociedade dividida quanto à legitimidade de interferências externas. Metade dos entrevistados (50%) considera aceitável que um país estrangeiro atue para prender um ditador, enquanto 41% rejeitam qualquer tipo de intervenção internacional, mesmo com esse objetivo. Ainda assim, 46% declararam aprovar a operação conduzida pelos Estados Unidos na Venezuela, evidenciando contradições no debate público.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais realizadas entre os dias 8 e 11 de janeiro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Operação nos bastidores do poder

Esse clima de apreensão ganhou força após um episódio que sacudiu a política latino-americana. Na madrugada de 3 de janeiro de 2026, por volta das 3h no horário de Brasília, forças de segurança dos Estados Unidos capturaram o ditador venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas.

Segundo Washington, a ação ocorreu em cooperação com autoridades policiais locais. No entanto, apesar do discurso oficial, a operação ultrapassou os limites de um simples procedimento policial. Uma semana depois, o impacto da ofensiva ainda reverbera em tribunais internacionais, chancelarias e mercados financeiros, enquanto o futuro da Venezuela permanece indefinido.

Conforme autoridades americanas, a missão resultou de meses de planejamento e de ensaios considerados entre os mais complexos já realizados pelo aparato de segurança dos EUA. Desde o primeiro momento, a Casa Branca tentou minimizar o alcance político da ação. Ainda assim, o episódio expôs fortes implicações geopolíticas.

Pressão crescente e acusações antigas

Há anos, o governo norte-americano classifica Maduro como criminoso. Em 2020, durante o primeiro mandato de Donald Trump, a Justiça do Distrito Sul de Nova York acusou o líder venezuelano de narcoterrorismo, conspiração para tráfico internacional de cocaína e outros crimes federais.

Naquele momento, os Estados Unidos ofereceram US$ 15 milhões por informações que levassem à prisão do ditador. Com o passar do tempo, a pressão aumentou. O valor da recompensa subiu para US$ 25 milhões no início de 2025, nos últimos dias do governo Biden, e alcançou US$ 50 milhões em agosto do mesmo ano, já sob o novo mandato do republicano.

Paralelamente, Washington classificou o chamado Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira, sustentando que Maduro liderava a estrutura criminosa.

Confirmação pública

A confirmação oficial da captura veio ainda na manhã de sábado (3), quando o presidente dos Estados Unidos publicou a informação em suas redes sociais. Trump descreveu a operação como um êxito da cooperação policial internacional, reforçando a narrativa de legalidade da ação.

Enquanto isso, no Brasil, os desdobramentos do episódio continuam a alimentar o debate público. O temor de uma possível intervenção estrangeira cresce, ao passo que a população se divide entre a defesa da soberania nacional e o apoio a ações internacionais contra regimes autoritários.

Murilo José

Sobre o autor

Murilo José

Jornalista do Guararema News, atua na região do médio Vale do Itajaí e Litoral Norte. Suas pautas geralmente são direcionadas a assuntos factuais que tem impacto no dia a dia da comunidade. Murilo também atua com reportagens especiais em projetos autorais. Além disso, também contribui com conteúdo esportivo.

Ver todas as matérias de Murilo José