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Justiça reduz pena de condenados pelo incêndio da Boate Kiss

Defesas declararam que vão pedir progressão de regime para semiaberto

Justiça reduz pena de condenados pelo incêndio da Boate Kiss
Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) reduziu, nesta terça-feira (26), as penas dos quatro condenados pelo incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria. A sessão de julgamento dos recursos das defesas ocorreu na sede do TJRS, em Porto Alegre.

Os advogados tiveram 15 minutos cada para a sustentação oral dos argumentos. Em seguida, os desembargadores decidiram, por unanimidade, fixar 12 anos de prisão para os sócios da boate, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann. Antes, eles receberam penas de 22 anos e seis meses e 19 anos e seis meses, respectivamente.

O músico Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Luciano Bonilha Leão tiveram a pena reduzida para 11 anos, ante 18 anos de condenação anterior. O tribunal avaliou os recursos das defesas e determinou a redução das penas dos quatro réus.

“A 1ª Câmara Especial Criminal decidiu, por unanimidade, afastar a alegação de que a decisão dos jurados foi contrária às provas e dar parcial provimento aos recursos defensivos para reduzir as penas finais de Luciano e Marcelo para 11 anos, e de Elissandro e Mauro para 12 anos no regime fechado”, disse o desembargador Luciano André Losekann ao encerrar a sessão.

Os quatro condenados permanecem presos. A decisão ainda cabe recurso. Os réus receberam condenação por homicídio com dolo eventual pela morte de 242 pessoas e por causar lesões em mais de 600 vítimas.

Progressão para semiaberto

Com a nova pena fixada pelo Tribunal de Justiça, as defesas devem solicitar a progressão de regime ao semiaberto. Os condenados já cumpriram o tempo necessário no regime fechado e também contam com remissões decorrentes de estudo e trabalho.

A Lei de Execução Penal estabelece outros critérios para progressão, mas o regime só muda se o condenado mantiver boa conduta carcerária. O juiz da Vara de Execuções Penais (VEC) da comarca avaliará cada caso individualmente.

Manifestações

Familiares e amigos das vítimas se reuniram em protesto nesta terça-feira, todos usando narizes de palhaço. O porta-voz da associação informou que recorrerá da decisão até a última instância, incluindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ). “O Ministério Público conhece a nossa vontade. Já sabe que a gente não vai jogar a tolha, que vamos recorrer até a última instância”, disse.

Ele também criticou a redução das penas: “Essa decisão de hoje é inaceitável. Embora os réus tivessem de cumprir mais anos de pena se não houvesse a redução, da cadeia todo mundo sai, mas da cova até hoje eu não ouvi falar de ninguém que tenha saído”, finalizou.

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