
O Governo Federal deu início neste domingo (3), a uma campanha publicitária para defender a extinção da escala de trabalho 6×1. Com o slogan “Mais tempo para viver. Sem perder salário”, a mobilização acontece em paralelo ao envio de um projeto de lei ao Congresso que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas.
A iniciativa será veiculada em televisão, rádio, jornais, cinemas e redes sociais. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o objetivo é conscientizar a sociedade sobre os benefícios de ampliar o tempo livre dos trabalhadores, defendendo que o descanso não deve ser visto como um benefício, mas como um direito fundamental.
Saúde mental e produtividade no foco da campanha
A campanha utiliza dados de saúde pública para justificar a mudança. Em 2025, o Brasil registrou 540 mil afastamentos do trabalho por doenças psicossociais, como burnout, ansiedade e estresse. Esse número é quase o triplo do registrado em 2020, quando 200 mil pessoas se afastaram por esses motivos.
O governo sustenta que a redução da carga horária pode trazer ganhos para os dois lados:
- Para o trabalhador: Mais convivência familiar e melhoria na saúde física e mental.
- Para o empregador: Redução de faltas, menor rotatividade de funcionários e aumento da produtividade devido ao descanso adequado.
Impacto nos trabalhadores
Atualmente, cerca de 14 milhões de brasileiros cumprem a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. No total, o governo estima que 37,2 milhões de profissionais com carteira assinada trabalham mais de 40 horas por semana, o que representa 74% dos celetistas no país.
A proposta enviada ao Legislativo busca consolidar a jornada 5×2 (cinco dias de trabalho e dois de folga), proibindo qualquer redução salarial. Assim, o texto abrange diversas categorias, desde trabalhadores domésticos até aeronautas e comerciários.
Pressão no Congresso
A campanha serve como suporte político para o projeto de lei que tramita com urgência constitucional. Esse mecanismo obriga a Câmara e o Senado a votarem a matéria em até 45 dias cada. Portanto, se o prazo não for cumprido, a pauta de votações de cada Casa fica trancada para outros temas.
Enquanto a campanha tenta ampliar o apoio popular — que já é de 71%, segundo o Datafolha —, o setor produtivo reage com cautela. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertam para um possível aumento nos custos operacionais, estimados em R$ 267 bilhões ao ano. Além disso, os representantes da indústria defendem que o Congresso discuta a transição setor por setor para evitar impactos negativos na economia.

