
O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado morreu aos 81 anos nesta sexta-feira (23), em Paris, na França, onde ele residia. Salgado enfrentava problemas decorrentes da malária. O fotojornalista ficou conhecido em todo o mundo por seus trabalhos em preto e branco. Dessa forma, priorizando a abordagem de temas humanitários, sociais e ambientais.
Em entrevista ao The Guardian em 2024, o fotógrafo revelou que a saúde foi um fator determinante para sua aposentadoria. Por conta de uma malária que adquiriu nos anos 1990, ele vivia com muitas sequelas. Na época, ele estava na Indonésia e não recebeu o tratamento adequado para a doença.
“Eu sei que não viverei muito mais. Mas eu não quero viver muito mais. Eu vivi tanto e vi tantas coisas”, contou ao veículo. Apesar de estar afastado dos trabalhos, Salgado estava planejando uma mostra especial para apresentar durante a COP30 em Belém, no Pará, em novembro deste ano. A Amazônia era uma tema recorrente em seus trabalhos.
Sebastião Salgado em SC
Em julho de 2023, Florianópolis recebeu uma única apresentação de um espetáculo unspirado na obra de Sebastião Salgado. Além disso, foi o Café não é só Uma Xícara, do grupo Tápias, que reúne bailarinos criocas e franceses. Foi no Teatro Álvaro de Carvalho, como parte do festival Dança em Trânsito.
Ainda em 2023, o Boteco Cultural da Apufsc-Sindical comemorou o Dia dos Trabalhadores com um evento que contou também com uma exposição de fotos do artista. As imagens eram parte da seleção “Luta pela Terra”, da coleção “Êxodos”, e da coleção “Terra”, que mostram o dia a dia de trabalhadores sem-terra nos anos 1990.
Além disso, em 2014, o Parque de Coqueiros, na capital catarinense, serviu de palco para a exibição pública do documentário ‘O Sal da Terra”, dirigido por Salgado junto com o alemão Wim Wenders. A iniciativa fez parte do projeto Planeta na Rua, e encerrou a programação do Festival Internacional de Cinema Socioambiental, o Planeta.Doc. O filme conta a trajetória do próprio Sebastião Salgado apresenta seu ambicioso projeto ‘Gêneses’, expedição que registrou por meio de imagens civilizações e regiões do planeta até então inexploradas. Foi indicado ao Oscar de melhor documentário em 2015 e ganhou o prêmio francês César no mesmo ano.
Mais sobre Salgado
Nascido em Aimorés, em Minas Gerais, Sebastião Salgado formou-se como economista antes de se tornar fotógrafo no início dos anos 1970. Ele obteve mestrado em economia pela Universidade de São Paulo em 1968 e doutorado em economia pela Universidade de Pari,s em 1971. Seu trabalho na Organização Internacional do Café, em Londres, exigia que ele fizesse viagens frequentes à África, e seu desejo de documentar essas experiências despertou seu interesse pela fotografia. Em 1974, ele começou na atuar como freelancer para a agência Sygma, em Paris. Nos anos seguintes, trabalhou para a Gamma, e em 1979 ingressou na Magnum, a cooperativa internacional de fotografia fundada em 1947 por Henri Cartier-Bresson, Robert Capa, George Rodger e Chim (David Seymour).
Salgado produziu uma extensa série de documentários ao longo de sua carreira, entre elas uma investigação mundial sobre a crescente obsolescência do trabalho manual. Ele recebeu muitos prêmios por seu trabalho, entre eles o Prêmio Eugene Smith de Fotografia Humanitária, dois Prêmios ICP Infinity de Jornalismo, o Prêmio Erna e Victor Hasselblad e o prêmio do Festival Internacional de Arles de melhor livro de fotografia do ano para trabalhadores.

