
A Prefeitura de Balneário Camboriú anunciou o fim do naturismo na Praia do Pinho. A decisão será oficializada por decreto municipal, alinhado à nova lei aprovada pela Câmara de Vereadores e ao texto do novo Plano Diretor, atualmente em fase final de votação.
A medida encerra uma prática que vigorava há décadas no local. Além disso, atende a pedidos antigos da comunidade, das forças de segurança e de moradores das praias agrestes. O decreto entrará em vigor após a sanção do novo Plano Diretor, que não prevê áreas exclusivas para naturismo no município.
A prefeita Juliana Pavan apresentou a minuta do decreto nesta quarta-feira (17), durante reunião no gabinete. O encontro reuniu representantes das associações de moradores de Taquaras, Estaleiro e Estaleirinho, além de forças de segurança pública.
Segundo a administração municipal, o novo Plano Diretor passou por todas as etapas de escuta pública e foi elaborado pelo Colégio de Delegados. Diferentemente do plano em vigor desde 2006, o novo texto não reserva nenhuma praia para a prática do naturismo.
Além disso, a prefeitura reforça que a mudança busca garantir mais segurança, organização e respeito ambiental. Conforme avaliação técnica, ao longo dos anos, a Praia do Pinho deixou de cumprir sua proposta original.
“Essa decisão nasce do diálogo e da escuta. Ouvimos moradores, forças de segurança e quem vive a realidade dessas praias diariamente. Nosso compromisso é garantir ordem, segurança e tranquilidade”, afirmou a prefeita Juliana Pavan.
Comunidade e segurança relatam problemas recorrentes
De acordo com a prefeitura e com parlamentares, a Praia do Pinho de
passou a registrar ocorrências frequentes de atos ilícitos. Além disso, denúncias apontam crimes sexuais, descarte irregular de lixo e agressões ambientais.
Segundo as forças de segurança, essas situações dificultam a fiscalização no local. Isso ocorre porque agentes e servidores públicos relatam constrangimento durante abordagens e ações preventivas.
O vereador Anderson Santos, autor do projeto de lei que tramita desde 2022, afirma que a prática atual não representa mais o naturismo. “O que se vê hoje é sujeira, preservativos, garrafas espalhadas e um ambiente de promiscuidade. Isso não atende mais à comunidade”, declarou.
Ainda conforme o parlamentar, fiscalizações flagraram atos libidinosos em plena luz do dia. Esses episódios, segundo ele, impactam diretamente moradores de Taquaras, Taquarinhas, Estaleiro e Estaleirinho.
Projeto aprovado prevê acesso para todos os públicos
A Câmara de Vereadores aprovou o projeto que proíbe o naturismo na Praia do Pinho na noite de quinta-feira (15). A proposta recebeu o voto favorável dos 15 vereadores presentes na sessão.
Além de proibir o nudismo, o texto busca tornar a praia acessível a todos os públicos. A administração municipal informou ainda que pretende habilitar a Praia do Pinho para receber o selo internacional Bandeira Azul.
O selo reconhece praias que atendem critérios rigorosos de qualidade ambiental, segurança, infraestrutura e gestão sustentável. Para isso, no entanto, o município precisará cumprir uma série de exigências técnicas e ambientais.
Praia do Pinho e o naturismo
A Praia do Pinho entrou para a história como a primeira praia do Brasil oficialmente dedicada ao naturismo. A prática foi formalizada no Plano Diretor de 2006, que reservou o espaço exclusivamente para esse público. Ao longo dos anos, no entanto, mudanças no perfil dos frequentadores e o aumento de denúncias levaram a comunidade e o poder público a reavaliar o modelo. Agora, com o novo Plano Diretor, o município opta por encerrar essa exclusividade.

