
O Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, tem uma ligação histórica com Santa Catarina e com a trajetória de Antonieta de Barros, educadora, jornalista, escritora e primeira mulher negra a conquistar um mandato parlamentar no Brasil. Em 1948, ela propôs a lei que instituiu a data comemorativa no estado, 15 anos antes da oficialização nacional. Sua história reforça a importância da educação como instrumento de transformação social e de construção de uma sociedade mais justa.
“A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação”, escreveu Antonieta, cuja atuação pública sempre esteve ligada à defesa do ensino e da inclusão social.
Nascida em Florianópolis, em 1901, ela enfrentou as barreiras de uma época em que mulheres, especialmente mulheres negras, encontravam enormes dificuldades para ocupar espaços de poder. Mesmo assim, conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina em 1935, tornando-se pioneira na representação política brasileira.
Antes de chegar ao Parlamento, Antonieta já havia transformado a educação em missão de vida. Aos 21 anos, fundou um curso de alfabetização destinado a pessoas sem condições financeiras e dirigiu a iniciativa por aproximadamente três décadas. Além disso, lecionou Português e Literatura e escreveu mais de mil artigos jornalísticos. Também fundou a revista Vida Ilhoa.
Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias. Os recursos obtidos com a primeira edição ajudaram a financiar as obras de uma escola destinada aos filhos de pacientes internados na Colônia Santa Teresa. Dessa forma, Antonieta uniu a produção intelectual ao compromisso com a educação e com as pessoas em situação de vulnerabilidade.
Em seus escritos, ela defendia que alfabetizar não era suficiente. Para Antonieta, a educação precisava garantir acesso à cultura e oferecer condições para que as pessoas conquistassem autonomia e independência moral.
Uma data que nasceu em Santa Catarina
A relação entre Antonieta de Barros e o Dia dos Professores começou a ganhar forma com a Lei Estadual 145/1948, de sua autoria. A legislação instituiu o 15 de outubro como data comemorativa dos professores e feriado escolar em Santa Catarina.
A escolha remete a um decreto assinado por Dom Pedro I em 1827, que estabeleceu regras para o ensino elementar no Brasil. Mais de um século depois, a iniciativa catarinense transformou a data em uma ocasião oficial de reconhecimento aos profissionais responsáveis pela formação de gerações.
Somente em 1963 o presidente João Goulart assinou o Decreto Federal 52.682, que oficializou o Dia do Professor em todo o país e estabeleceu o feriado escolar em 15 de outubro. Assim, Santa Catarina antecipou em 15 anos a instituição estadual da comemoração em relação à regulamentação nacional.
A atuação de Antonieta também deixou uma mensagem sobre o papel dos educadores. Em um discurso proferido em 26 de novembro de 1945, no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis, ela afirmou que educar significa iluminar caminhos, fortalecer pessoas e oferecer condições para que avancem com autonomia.
Por isso, celebrar o Dia dos Professores também significa reconhecer o legado de uma mulher que enfrentou preconceitos e defendeu o acesso ao conhecimento como um direito.
Educação catarinense apresenta avanços e desafios
Quase oito décadas depois da lei proposta por Antonieta, os indicadores educacionais ajudam a dimensionar os avanços e os desafios de Santa Catarina. Dados de 2025 informados pelo Ministério da Educação apontam redução do analfabetismo e melhora no desempenho dos estudantes do ensino fundamental.
O estado registrou taxa de analfabetismo de 1,5% em 2025, abaixo dos 1,9% do ano anterior. Com esse resultado, alcançou a segunda menor taxa entre as unidades da Federação, atrás apenas do Distrito Federal. No Brasil, o índice chegou a 4,9% entre pessoas com 15 anos ou mais.
Além disso, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) avançou nas duas etapas do ensino fundamental. Nos anos iniciais, a nota catarinense passou de 6,4, em 2023, para 6,7, em 2025. Já nos anos finais, subiu de 5,2 para 5,4.
Os resultados superaram as médias nacionais informadas, de 6,3 nos anos iniciais e 5,3 nos anos finais. Entretanto, o ensino médio continua exigindo atenção: Santa Catarina registrou nota 4,5, mesmo resultado apontado para o país.
A infraestrutura escolar também integra esse cenário. Conforme os dados do portal QEdu apresentados para Santa Catarina, as escolas têm cobertura de 100% em alimentação escolar e energia elétrica. O acesso à água chega a 90% das unidades, enquanto a banda larga alcança 92%.
Portanto, os números mostram avanços importantes, mas também indicam a necessidade de ampliar a infraestrutura, reduzir desigualdades e melhorar a aprendizagem, especialmente no ensino médio.
Ao reunir a história de Antonieta de Barros e os indicadores atuais, o 15 de outubro ganha um significado que vai além da homenagem aos professores. A data resgata o pioneirismo catarinense e reforça uma ideia defendida pela educadora ao longo da vida: investir na educação significa ampliar oportunidades, fortalecer a cidadania e transformar a sociedade.

