
A Justiça de Brusque condenou, através do Tribunal do Juri, na madrugada deste sábado (7), três dos sete envolvidos no assassinato do empresário Edinei da Maia, crime que ficou conhecido como o “Caso Viúva Negra”. Os jurados sentenciaram Júlio Cezar Durgo Sothe, conhecido como ‘Montanha’, Kauê Hans Becker e Robson de Amorim, apelidado de ‘Grilo’, por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
A sessão do Tribunal do Júri, que durou mais de 12 horas, encerrou às 2h13 de sábado (7). Júlio e Robson receberam a pena de 27 anos de prisão em regime fechado, enquanto Kauê foi condenado a 26 anos. Além disso, a Justiça manteve a prisão preventiva dos três e negou o direito de recorrerem em liberdade, levando em conta a gravidade do crime e o risco de novas infrações.
Este julgamento marcou o primeiro de uma série de audiências que deve levar ao banco dos réus os outros quatro acusados. Uma das detidas, Elisa Zierke, apontada como mentora e viúva da vítima. A Justiça ainda não definiu a data da próxima sessão.
Crime brutal e premeditado
De acordo com o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), os condenados participaram ativamente de todas as fases do crime, desde a emboscada até a ocultação do corpo. As investigações apontaram que os criminosos atraíram o empresário para uma emboscada em Vidal Ramos, sob o pretexto de fazer o orçamento de um túmulo. No local, os réus renderam a vítima, amarraram-na e a colocaram no porta-malas de seu próprio carro.
Em seguida, os criminosos transferiram Edinei para outro veículo e o levaram até uma área de mata entre Brusque e Canelinha, onde a cova já havia sido cavada dias antes. No local, os acusados agrediram violentamente a vítima e enterraram seu corpo. As autoridades localizaram o cadáver quase quatro meses depois, em 15 de junho de 2024, já em avançado estado de decomposição.
Durante as diligências, o MPSC constatou que o crime teve motivação passional, impulsionado por um relacionamento extraconjugal entre Elisa Zierke e um dos acusados. Além de planejar a morte, o grupo cometeu furto e ocultou o corpo para dificultar a elucidação do caso. Dessa forma, as investigações comprovaram o caráter premeditado e cruel da ação.
Relembre o caso
O “Caso Viúva Negra” chocou Santa Catarina pela frieza e premeditação. Em 22 de fevereiro de 2024, o empresário Edinei da Maia, do ramo de mármores e granitos, saiu de casa para atender um cliente em Vidal Ramos e desapareceu.
Inicialmente tratado como caso de desaparecimento, o episódio mobilizou policiais civis e militares, além do MPSC. Com o avanço das investigações, a Operação Viúva Negra revelou que a esposa da vítima, Elisa Zierke, arquitetou o homicídio com o apoio de seis cúmplices.
As diligências indicaram que os criminosos cavaram a cova dias antes, atraíram Edinei para o local. Após matá-lo, enterraram o corpo em uma área de difícil acesso entre Brusque e Canelinha. Somente em junho, após buscas intensas, as autoridades, finalmente localizaram o cadáver.
Elisa e os outros três acusados seguem presos e aguardam julgamento. Todos respondem por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, furto e, em alguns casos, porte ilegal de arma de fogo.

