
O Brasil fechou 2025 com 365.822 pessoas vivendo em situação de rua, segundo estudo divulgado nesta quarta-feira (14) pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais. O levantamento usa dados do Cadastro Único e mostra que o número segue em alta desde 2022, portanto reforça um cenário de vulnerabilidade persistente e crescente no país.
Alta contínua após a pandemia
Primeiro, o estudo aponta que houve queda temporária entre 2020 e 2021, período marcado pela pandemia. Naquele momento, o total caiu de 194.824 para 158.191 registros. Depois, a curva mudou de direção. Desde 2022, os números voltaram a subir mês a mês, sem interrupção relevante. Em comparação com o mês anterior ao fechamento do levantamento, quando havia 327.925 pessoas cadastradas, o crescimento foi expressivo.
Sudeste concentra a maioria dos registros
Em seguida, os dados mostram forte concentração regional. O Sudeste reúne 222.311 pessoas em situação de rua, o que representa cerca de 61% do total nacional. Logo depois aparece o Nordeste, com 54.801 registros. São Paulo lidera entre os estados, com 150.958 pessoas nessa condição. Na sequência surgem Rio de Janeiro, com 33.656, e Minas Gerais, com 33.139. Já o Amapá registra o menor número, com 292 pessoas.
O que explica esse avanço
Segundo os pesquisadores, quatro fatores ajudam a explicar o crescimento. Primeiro, o fortalecimento do Cadastro Único ampliou a capacidade de identificação dessa população. Ou seja, mais pessoas passaram a ser registradas. Além disso, faltam políticas públicas estruturantes, sobretudo nas áreas de moradia, trabalho e educação. Soma-se a isso o impacto prolongado da pandemia sobre renda e emprego. Por fim, eventos climáticos extremos e fluxos migratórios na América Latina também pressionam o cenário urbano brasileiro.
Vida precária e escolhas impossíveis
Enquanto isso, quem vive nas ruas enfrenta decisões duras todos os dias. Integrantes de movimentos sociais relatam que, mesmo com programas que reduziram a fome extrema, muitas pessoas seguem sem acesso regular à alimentação. Isso acontece porque parte da renda precisa cobrir aluguel informal, medicamentos ou transporte. Assim, um ou dois salários mínimos não dão conta das necessidades básicas.
Emprego e reinserção como caminho
Além da falta de moradia, o desemprego pesa. Muitos enfrentam dificuldades para retornar ao mercado de trabalho, seja por ausência de qualificação, seja pelo estigma social. Lideranças do movimento defendem uma mudança de olhar. Para eles, a população em situação de rua precisa ser tratada como cidadãos desempregados que buscam oportunidade, não como um problema invisível nas cidades.
Respostas ainda insuficientes
Por outro lado, governos estaduais e municipais anunciam ações para reduzir o problema. Em São Paulo, por exemplo, a gestão estadual afirma que ampliou repasses a municípios e reforçou programas de alimentação e acolhimento. Mesmo assim, os números mostram que essas iniciativas ainda não conseguem conter o avanço da crise.
No fim das contas, o estudo escancara uma realidade dura. O Brasil conhece o tamanho do problema, já sabe onde ele se concentra e entende suas causas. Agora, precisa transformar o diagnóstico em ação concreta.

