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BC monitorava fraude bilionária entre Master e BRB meses antes de intervenção

Diretor do BC confirma que o BRB comprou R$ 12,2 bilhões em "créditos podres" para evitar a falência do Master

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BC monitorava fraude bilionária entre Master e BRB meses antes de intervenção
Foto: Divulgação / Banco Master

O Banco Central já monitorava graves irregularidades na negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) desde março de 2025, muito antes da liquidação extrajudicial da instituição. A revelação consta no depoimento do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, prestado à Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero.

Portanto, as informações foram divulgadas nesta quarta-feira (28) pelo portal Metrópoles, que teve acesso aos documentos que tramitam sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Fraude do Banco Master

De acordo com as investigações, a fraude começou quando Daniel Vorcaro, dono do Master, adquiriu R$ 6,7 bilhões em ativos da empresa Tirreno. Esses mesmos ativos foram revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões. Assim, a PF aponta que a Tirreno jamais movimentou dinheiro real e que o Master sequer pagou pelos ativos antes de repassá-los ao banco público.

Relato do diretor do BC

Em depoimento, Ailton de Aquino confirmou que o BC identificou a falta de transparência logo no início do ano passado. Através de um questionamento formal em março, a autarquia forçou o BRB a detalhar as carteiras. Foi nesse momento que as “inconsistências graves” e a ausência de lastro real vieram à tona.

Socorro para evitar a quebra

Apesar do sinal vermelho aceso em março, a liquidação do Master só ocorreu em 18 de novembro. Nesse período, o BRB tentou “internalizar ativos” do Master para compensar o prejuízo. Em outras palavras, o banco buscou bens dentro do balanço da instituição privada para cobrir o buraco deixado pelos créditos inexistentes da Tirreno.

A gravidade da situação aparece com clareza em uma agenda apreendida pela PF. Em uma reunião da cúpula do BRB, em julho de 2025, o então presidente Paulo Henrique Costa teria sido enfático: “Se não houver [a compra das carteiras], o Master vai quebrar”.

Prejuízo bilionário

Consequentemente, o impacto financeiro para o BRB será severo. Dessa forma, o diretor do Banco Central estima que a instituição pública precisará fazer uma reserva de recursos de “elevada monta”.

  • Previsão: O valor para cobrir as perdas pode chegar a R$ 5 bilhões.
  • Complemento imediato: Aquino afirmou que, devido à baixa qualidade dos ativos recuperados, o banco já precisa provisionar mais R$ 2,2 bilhões imediatamente.
Personagens sob investigação

Além dos banqueiros, o nome do empresário Henrique Peretto ganhou destaque. Vorcaro o aponta como o “avalista” da operação e o responsável por inflar o capital social da Tirreno antes da venda ao BRB. Peretto chegou a ser preso preventivamente, mas responde ao processo em liberdade.

Por fim, enquanto o ex-presidente do BRB nega que a operação tenha sido um “plano de salvação” para o Master, os documentos e depoimentos indicam que o regulador e os envolvidos correram contra o tempo para tentar evitar um colapso que, no final, mostrou-se inevitável.

Natiele Oliveira

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Natiele Oliveira

A jornalista confirma a presença do Guararema News na cidade de Blumenau, com uma ampla cobertura de tudo o que acontece na região do Vale do Itajaí, uma das mais importantes de Santa Catarina. Atua também em coberturas nacionais, sempre ligada em notícias que possam fazer a diferença na vida dos leitores, como serviços, empregos, concursos e etc...

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