
O Banco Central (BC) anunciou, nesta quinta-feira (15), a liquidação extrajudicial da CBSF DTVM (ex-Reag). A decisão, assinada pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, fundamenta-se na identificação de “graves violações às normas” que regem o sistema financeiro nacional.
Medida do BC
A medida ocorre em um momento crítico, logo após o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, tornar-se alvo de uma megaoperação da Polícia Federal (PF). A investigação apura fraudes bilionárias e a concessão de créditos fraudulentos envolvendo o Banco Master.
Conexões com o crime organizado e fraudes
Além do envolvimento no caso Master, a trajetória recente da instituição é marcada por polêmicas judiciais. No ano passado, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto, que investigou um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC através do setor de combustíveis.
Consequentemente, a pressão sobre a gestora aumentou após uma reunião estratégica realizada na noite de quarta-feira (14) entre Galípolo e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Embora a pauta do encontro não tenha sido detalhada, a liquidação da distribuidora foi oficializada poucas horas depois.
Impactos diretos
Como resultado imediato da liquidação, o Banco Central determinou a indisponibilidade dos bens de todos os controladores e ex-administradores da CBSF DTVM.
- Interventor: Antonio Pereira de Souza, experiente na liquidação do Banco Bamerindus, assumirá o controle do processo.
- Relevância: Apesar do impacto jurídico, a Reag possuía baixa relevância sistêmica, ocupando a 56ª posição no ranking de câmbio de 2025.
Reações do governo
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou a gravidade da situação. Em declarações recentes, Haddad afirmou manter contato diário com Gabriel Galípolo para monitorar o que ele classifica como a “maior fraude bancária da história do país”. Além disso, o Supremo Tribunal Federal, através do ministro Dias Toffoli, já autorizou a PGR a analisar os materiais apreendidos nas investigações.
Segunda liquidação
Paralelamente, o Banco Central também decretou a liquidação da Advanced Corretora de Câmbio. De acordo com o comunicado oficial, a instituição apresentava um “grave comprometimento da situação econômico-financeira”. No entanto, o BC ressaltou que os processos da CBSF e da Advanced não possuem relação direta entre si.

