
Um homem acusado de tentar matar a ex-companheira ao administrar doses elevadas de medicamentos deverá enfrentar o Tribunal do Júri. A decisão ocorreu em 13 de setembro, na Vara Única da Comarca de Cunha Porã, no Oeste Santa Catarina.
Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime ocorreu entre abril e maio de 2023, quando o casal já estava separado, mas ainda dividia a mesma residência. O acusado teria aproveitado a convivência e a condição cardíaca da vítima para colocar o plano em prática.
Medicamentos em doses potencialmente fatais
Conforme a denúncia, o homem passou a controlar compromissos médicos da ex-companheira e também administrava medicamentos sob o argumento de cuidar da saúde dela.
No entanto, uma perícia apontou que as substâncias, em doses elevadas, poderiam provocar uma intoxicação digitálica potencialmente fatal. O quadro ocorre quando o organismo recebe uma quantidade excessiva de medicamentos glicosídeos digitálicos.
A vítima só não morreu porque uma amiga percebeu a gravidade do estado de saúde dela e providenciou atendimento médico imediato.
Inicialmente, a mulher procurou a Polícia Civil para relatar ameaças e perseguições. Durante a investigação, porém, os fatos revelaram uma suspeita mais grave: uma tentativa de homicídio.
Ministério Público denunciou o acusado
O MPSC apresentou a denúncia em agosto de 2025. Na acusação, o órgão apontou tentativa de homicídio qualificado por feminicídio, além de motivo torpe, dissimulação e uso de recurso que teria dificultado a defesa da vítima.
Como o crime ocorreu em 2023, antes da lei que transformou o feminicídio em crime autônomo, o Ministério Público enquadrou a circunstância como qualificadora do homicídio. A acusação considerou ainda o contexto doméstico e familiar e a condição feminina da vítima.
A ação penal passou por depoimentos de testemunhas, interrogatório do acusado, audiência de instrução e manifestações da acusação e da defesa.
Caso seguirá para o Tribunal do Júri
Após analisar as provas reunidas no processo, a Justiça decidiu levar o acusado a julgamento popular. Agora, sete jurados representarão a sociedade e decidirão sobre a responsabilidade penal do réu.
A data do julgamento ainda não foi definida. Isso ocorre porque a defesa pode apresentar recursos contra a decisão de pronúncia.
O processo tramita em segredo de Justiça. Além disso, a Justiça permitiu que o acusado aguarde o andamento da ação em liberdade.
Violência contra a mulher: saiba como denunciar
Casos de violência doméstica e familiar podem ser denunciados pelos canais oficiais. Em situações de emergência ou risco imediato, a vítima ou qualquer pessoa que presencie a ocorrência pode ligar para a Polícia Militar, pelo 190.
A Polícia Civil recebe denúncias pelo 181 e também permite o registro de boletim de ocorrência pela internet.
A Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, oferece orientação e recebe denúncias relacionadas à violência contra mulheres.
O Ministério Público de Santa Catarina também recebe manifestações pela Ouvidoria, no telefone 127, além de oferecer atendimento por meio do Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT).

