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Vendas do PS5 despencam após alta no preço

Sony vê queda de 46% nas vendas do console e sente o impacto direto dos reajustes e da pressão global nos custos

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Vendas do PS5 despencam após alta no preço
Foto: Divulgação/Sony

    A Sony acendeu o sinal de alerta no mercado de games. A empresa vendeu apenas 1,5 milhão de unidades do PlayStation 5 no último trimestre fiscal, contra 2,8 milhões no mesmo período do ano passado. O tombo foi de 46%. O resultado, divulgado nesta sexta-feira (8), reforça um problema que o consumidor já sentia no bolso: o PS5 ficou mais caro e, por isso, muita gente simplesmente saiu da fila da compra.

    Além disso, os reajustes sucessivos no Brasil e em outros países aumentaram ainda mais a pressão sobre a marca, justamente em um momento em que o mercado exige preço competitivo e poder de compra mais forte.

    Preço mais alto afasta o consumidor

    Nos últimos meses, a Sony aumentou o preço do PS5 duas vezes em menos de um ano. Em março, a empresa explicou que o reajuste foi necessário por causa das pressões no cenário econômico global, do aumento no custo de componentes e da redução na oferta de memórias no mercado internacional.

    Na prática, o impacto foi direto. No Brasil, o preço do modelo base subiu de R$ 4.499 para R$ 5.099. Já o PS5 Pro chegou a R$ 7.499,90. Ou seja, o videogame deixou de ser apenas entretenimento e passou a exigir planejamento financeiro quase de financiamento imobiliário, só faltou o corretor.

    Por isso, muitos consumidores correram para comprar o console antes da nova tabela entrar em vigor. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve uma disparada nas vendas pouco antes do reajuste. Segundo a Circana, os gastos com hardware praticamente dobraram em relação ao mesmo período do ano anterior.

    Crise de memória pesa no mercado

    Ao mesmo tempo, a indústria enfrenta outro obstáculo pesado: a disputa por semicondutores. Fabricantes de memória passaram a priorizar data centers voltados para inteligência artificial, o que reduziu a oferta para o setor de eletrônicos e elevou ainda mais os custos de produção.

    Consequentemente, consoles ficaram mais caros, a produção ficou mais pressionada e o consumidor passou a adiar a compra.

    Em 2025, a Sony vendeu 16 milhões de unidades do PS5. Embora o número ainda seja expressivo, ele ficou abaixo dos 18,5 milhões registrados no ano anterior e também distante dos 19,3 milhões vendidos no auge da pandemia, quando o mercado viveu seu pico.

    Além disso, analistas já projetam que o PlayStation 6 só deve chegar entre 2028 e 2029. A razão é simples: a cadeia global de produção ainda não encontrou estabilidade suficiente para acelerar uma nova geração.

    Lucro menor aumenta cobrança

    Além da queda nas vendas do console, a Sony também sofreu com problemas internos. A empresa precisou reconhecer uma desvalorização de US$ 765 milhões relacionada à Bungie, estúdio adquirido em 2022 por US$ 3,6 bilhões.

    Esse movimento aumentou ainda mais a pressão sobre a divisão de games e afetou diretamente o resultado financeiro. O lucro operacional fechou em 164 bilhões de ienes, muito abaixo da expectativa do mercado, que projetava 278 bilhões.

    Mesmo assim, a Sony mantém a aposta em recuperação no próximo ano fiscal. A expectativa é que os setores de música e sensores de imagem ajudem a equilibrar as contas.

    Enquanto isso, no universo gamer, a realidade segue clara: quando o console sobe demais de preço, o sonho do upgrade vira apenas wallpaper no celular.

    Ismael Melo

    Sobre o autor

    Ismael Melo

    Jornalista do Guararema News, Ismael Melo atua na Grande Florianópolis com foco na cobertura de economia e política regional e nacional. Também produz conteúdos sobre acontecimentos factuais, esportes e temas de repercussão no Brasil. Além disso, possui experiência em radiojornalismo, comunicação institucional, produção audiovisual, podcasts e gestão de conteúdo para diferentes plataformas.

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