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Fechamento de agências bancárias em SC é debatido na Alesc

Redução da quantidade de agências é atribuída ao avanço da digitalização dos serviços bancários

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Fechamento de agências bancárias em SC é debatido na Alesc
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A criação de uma comissão para tratar da elaboração de leis que exijam a manutenção de atendimento presencial pelos bancos foi o principal encaminhamento da audiência pública que ocorreu na noite desta quarta-feira (5) na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O encontro discutiu os impactos do fechamento de agências bancárias em todo o estado e reuniu autoridades, bancários e representantes de entidades sindicais.

O debate foi solicitado pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Santa Catarina (Fetrafi-SC). A entidade tem questionado o fechamento das agências bancárias que, conforme a entidade, tem prejudicado o atendimento à população mais vulnerável, em especial nos municípios de menor porte, com impactos negativos para a economia. O argumento dos bancos, segundo a Fetrafi-SC, é o avanço a digitalização dos serviços bancários.

“Não negamos a importância da tecnologia, mas ela não substitui o homem. Todo mundo sabe que problemas complexos, operações de crédito, situações que envolvem fraudes, atendimento de pessoas que não têm acesso à internet, pessoas idosas, exigem a presença de uma agência e de profissionais qualificados”, afirmou Marco Aurélio Silvano, secretário-geral da federação.

Imposição dos bancos

Para ele, a redução do atendimento presencial, além de prejudicar a sociedade, tem prejudicado também os bancários. “A redução dos postos de trabalho, com o fechamento das agências, faz com que um volume de trabalho grande recaia sobre cada vez menos bancários, com sobrecarga”, disse.

Ele defendeu que a sociedade participe desse debate que, atualmente, está restrito aos bancários. “Essa mudança é uma escolha do cliente ou uma imposição dos bancos, que reduziram o atendimento presencial e obrigaram os clientes a usarem esses aplicativos?”, questionou Silvano.

Cleberson Eichholz, presidente do Sintrafi, sindicato que representa os bancários da Grande Florianópolis, também defendeu a elaboração de leis que exijam dos bancos a manutenção do atendimento presencial. “Precisamos de um atendimento que garanta mínimas condições para as pessoas mais vulneráveis, que são as mais prejudicadas com essa dinâmica dos bancos, pois elas têm mais dificuldades em acessar os meios digitais.”

Fechamento de agências bancárias

Já Gustavo Tabatinga, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), além de defender a regulamentação da exigência do atendimento presencial, sugeriu a elaboração de normas que proíbam o poder público estadual de operar em instituições financeiras que não tenham rede de agências adequada.

Redução

Durante a audiência, o economista do Dieese Gustavo Cavarzan apresentou um raio-x do atendimento bancário em Santa Catarina. Em dez anos, houve uma redução de 40% no número de agências em Santa Catarina. O número de postos de trabalho no setor caiu 30% no estado.

Atualmente, conforme Cavarzan, 44% dos municípios catarinenses não contam com agência bancária, o que atingem mais de 600 mil pessoas. “Isso traz uma série de consequências para os clientes e para a economia desses municípios”, disse. “Reduz a arrecadação dos municípios, prejudica as pequenas empresas, as pessoas mais vulneráveis. Além disso, há uma tendência a aumento da inadimplência no pagamento dos tributos”, disse.

O economista destacou que os bancos adotaram uma estratégia de precarização no atendimento da população de baixa renda. Enquanto o atendimento presencial está restrito à alta renda, a população mais carente fica restrita a correspondentes bancários, que só em Santa Catarina são 12,3 mil, 21 vezes o número de agências bancárias no estado.

“Esse processo de falta de atendimento adequado também ajuda a explicar um dos principais problemas que atinge a população, que é o endividamento. É um tema que merece atenção do poder público, porque está se agravando e vai trazer mais consequências negativas”, completou Cavarzan.

Róbinson Gambôa

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Róbinson Gambôa

Experiênte jornalista, atua na região da Grande Florianópolis, se dedicando aos factuais do dia a dia e também a matérias mais autorais com foco em temas diversos. Entre suas especialisdades está a editoria de política e segurança publica. Gambôa também contribui com conteúdo esportivo.

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