
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou neste domingo (27) a mensagem atribuída ao advogado Walfrido Warde que cita um suposto whisky entregue por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Questionado sobre o presente durante entrevista à Band, Lula afirmou que não se lembra de ter recebido a bebida, mas disse que, caso tenha ganhado, já a consumiu.
“Se me deu whisky, já bebi. Eu ganho muita coisa, lembrança, sabe? Não sei se me deu, mas, se deu, já bebi, pode ficar certo”, declarou o presidente.
Veja a declaração do presidente no programa Canal Livre da Band:
A resposta ocorreu após a divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro. Em uma conversa de 22 de janeiro de 2025, Warde afirmou ao então banqueiro que havia conversado com Lula e que o presidente teria perguntado sobre sua situação.
Segundo a mensagem, Lula teria agradecido novamente pelo whisky e enviado um abraço a Vorcaro. O empresário respondeu ao advogado com um emoji de coração. O conteúdo veio a público em setembro e passou a integrar a repercussão envolvendo as relações do ex-controlador do Banco Master com autoridades.
O que dizem as mensagens sobre o presente
A mensagem de Warde não apresenta, por si só, uma confirmação independente de que Lula recebeu a bebida. O advogado relatou a Vorcaro que o presidente havia agradecido pelo whisky, enquanto a Presidência afirma que o presente nunca foi entregue.
Em nota divulgada após a publicação das mensagens, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência declarou que Lula encontrou Vorcaro apenas uma vez. O Planalto também negou que o presidente tenha recebido qualquer presente ou enviado recado ao empresário.
Na entrevista, Lula também questionou o relato atribuído ao advogado. Ele afirmou que não controla aquilo que terceiros dizem em seu nome e negou conhecer a conversa mencionada nas mensagens.
Encontro aconteceu no Palácio do Planalto
A história do whisky ganhou força porque Lula e Vorcaro realmente se encontraram no Palácio do Planalto. A reunião ocorreu em 4 de dezembro de 2024, 49 dias antes da mensagem enviada por Warde.
O encontro, porém, não estava previsto na agenda oficial. Vorcaro chegou ao Planalto acompanhado do ex-ministro Guido Mantega. Também participaram da conversa o então ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, que naquele momento ocupava a diretoria de Política Monetária do Banco Central.
De acordo com a versão apresentada pelo Planalto, Vorcaro relatou que se sentia perseguido e temia problemas para o Banco Master. Lula teria respondido que eventuais irregularidades deveriam passar por análise técnica do Banco Central.
Na entrevista, o presidente também relatou que Vorcaro apareceu no gabinete acompanhado de Augusto Lima, então sócio do banco. Lula afirmou que não faria uma intervenção política e que, caso houvesse irregularidades, o empresário deveria responder pelos atos.
Advogado tentou aproximar Vorcaro do governo
As mensagens analisadas pela Polícia Federal também mostram que Warde atuou para estabelecer uma interlocução entre Vorcaro e integrantes do governo.
Em uma conversa anterior, de abril de 2024, o advogado relatou que teria recebido contato de Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, então chefe de gabinete de Lula. Warde pediu que Vorcaro preparasse um e-mail com os assuntos que pretendia discutir com o presidente.
A versão, entretanto, recebeu contestação de Marcola. Segundo a assessoria dele, o procedimento de formalização de pedidos de audiência fazia parte das atribuições do cargo, mas ele negou ter procurado Warde para tratar especificamente de Vorcaro.
Assim, o episódio reúne três elementos distintos: a mensagem de Warde sobre o suposto presente, a negativa oficial do Planalto e a confirmação de que Lula e Vorcaro tiveram um encontro no fim de 2024. Até o momento, a existência da reunião é documentada, mas a entrega do whisky permanece como uma alegação atribuída ao advogado, contestada pela Presidência.

