
O vereador Almir Vieira (PP) quebrou o silêncio nesta segunda-feira (4) durante o interrogatório na Comissão Processante da Câmara de Blumenau. Alvo da Operação Happy Nation, que investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, o parlamentar afastado negou as irregularidades e afirmou ser vítima de uma perseguição política.
Defesa foca em “rixa” política
A estratégia da defesa buscou deslegitimar a condução do processo por Egídio Beckhauser (Republicanos), atual presidente da comissão. O advogado de Almir, Diego de Oliveira, interrogou testemunhas sobre uma suposta inimizade entre os dois políticos, sugerindo que o processo seria motivado por vingança.
O clima esquentou quando Oliveira questionou uma testemunha sobre a atuação de Beckhauser em cargos anteriores, o que provocou uma interrupção imediata do presidente. A partir daí, iniciou-se uma troca de farpas. Assim, a defesa acusou o colegiado de promover um “circo” e de cercear o direito de resposta, enquanto Beckhauser exigiu que as perguntas se limitassem aos fatos da denúncia de quebra de decoro parlamentar.
Explicação do vereador sobre dinheiro apreendido
Questionado sobre os R$ 30 mil em espécie encontrados em sua posse pela Polícia Civil, Vieira afirmou que o montante pertence à sua empresa privada. Portanto, segundo o parlamentar, o valor é fruto da organização de feijoadas e eventos sociais e estava guardado para a compra de insumos.
Para sustentar essa tese, a defesa convocou o presidente da Associação de Veteranos do 23º BI, que confirmou o pagamento de contratos, também em dinheiro vivo, à empresa de Vieira. Assim, o vereador assegurou que toda a movimentação financeira está declarada no Imposto de Renda e desafiou os investigadores a rastrearem a vida pessoal e profissional.
Reta final do processo
Com o fim das oitivas, o processo de cassação entra em fase decisiva. A defesa tem agora cinco dias para apresentar os argumentos finais por escrito. Na sequência, o relator Jean Volpato (PT) elabora o parecer oficial e o encaminha ao plenário. Ademais, todos os vereadores da Casa decidem o destino de Vieira em votação aberta.
Por fim, o vereador prometeu renunciar ao cargo caso alguém apresente qualquer prova de culpabilidade, sustentando que as denúncias são frágeis e sem fundamento.

