
Começa a valer hoje, sexta-feira (1º), o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, após 26 anos de negociações entre os dois blocos. A medida cria uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, reduz tarifas de importação, amplia o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu e fortalece a competitividade da economia nacional.
O acordo foi assinado no fim de janeiro, em Assunção, no Paraguai, e agora passa a ser aplicado de forma provisória. Com isso, empresas brasileiras já começam a sentir os primeiros impactos positivos, principalmente nos setores industrial, agrícola e de serviços.
Brasil ganha espaço no mercado europeu
Na prática, o tratado reduz custos para exportadores brasileiros e facilita a entrada de produtos nacionais na Europa. Alimentos, matérias-primas, produtos industriais e bens manufaturados aparecem entre os principais beneficiados nesta nova fase.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mais de 5 mil produtos passam a contar com tarifa zero já neste início. Isso aumenta a competitividade das empresas brasileiras, fortalece a indústria nacional e abre novas oportunidades de negócios.
Além disso, o acordo aproxima o Mercosul de um mercado com cerca de 780 milhões de consumidores. Ou seja, o Brasil passa a disputar espaço com mais força e mais estratégia dentro de um dos maiores centros econômicos do mundo.
Especialistas também apontam que a redução de tarifas pode estimular investimentos, ampliar exportações e até influenciar preços internos em alguns setores.
Europa ainda fará análise jurídica
Apesar da entrada em vigor nesta sexta-feira, o tratado ainda segue em análise dentro da União Europeia. O Parlamento Europeu encaminhou o texto ao Tribunal de Justiça do bloco, que agora vai avaliar se o acordo está totalmente alinhado às normas europeias.
Esse processo pode levar até dois anos. Mesmo assim, a Comissão Europeia autorizou a aplicação provisória, justamente para evitar novos atrasos e permitir que os benefícios econômicos comecem imediatamente.
Durante décadas, o acordo enfrentou travas políticas, resistências diplomáticas e críticas principalmente ligadas à agricultura e às questões ambientais. Ainda assim, os blocos mantiveram as negociações e finalmente chegaram ao texto final.
Um marco no comércio internacional
O acordo reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além dos 27 países da União Europeia. Juntos, esses mercados formam uma das maiores zonas de livre comércio da história recente.
Mais do que reduzir tarifas, o tratado reforça a presença internacional do Brasil, atrai investimentos e amplia a confiança do mercado externo na economia sul-americana.
Depois de 26 anos de espera, o acordo sai do discurso e entra na prática. E no comércio global, quando duas potências abrem a porta ao mesmo tempo, o mundo inteiro escuta o barulho.
