
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, ganhou um novo capítulo. Segundo documentos revelados pela revista Piauí nesta terça-feira (2), o senador Ciro Nogueira (PP-PI) teria desfrutado de uma viagem de luxo aos Alpes Franceses custeada pelo empresário, alvo de apurações sobre um suposto esquema bilionário.
De acordo com os investigadores, Ciro Nogueira e sua companheira, Flávia Rosalen, passaram 13 dias em Courchevel, na França, em janeiro de 2025. Milionários e celebridades transformaram Courchevel em um dos destinos mais exclusivos do turismo de inverno. Além disso, a PF aponta que Vorcaro arcou com hospedagem em hotel de alto padrão e refeições em restaurantes renomados da região.
Os documentos anexados ao inquérito indicam que uma única refeição teria custado cerca de R$ 63 mil. Dessa forma, os investigadores sustentam a suspeita de que despesas pessoais do senador foram bancadas pelo empresário.
Mensagens reforçam proximidade
Além dos gastos da viagem, a PF analisou mensagens trocadas por Daniel Vorcaro. Em uma delas, o banqueiro descreve Ciro Nogueira como “um dos meus grandes amigos de vida”. Para os investigadores, a declaração evidencia a relação próxima entre os dois.
Fotos reunidas durante a investigação também mostram o senador e o empresário juntos em Courchevel. Em uma das imagens, registrada em 21 de janeiro, ambos aparecem abraçados diante das montanhas cobertas de neve.
Por outro lado, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou buscas na residência do senador cita uma conversa entre Vorcaro e um colaborador responsável por sua logística nos Estados Unidos. Na troca de mensagens, o funcionário questiona se deveria continuar pagando despesas de restaurantes de “Ciro/Flávia” até determinado dia.
Em resposta, Vorcaro teria autorizado a continuidade dos pagamentos. Segundo a PF, o diálogo reforça a suspeita de custeio de gastos particulares do senador durante a estadia na França.
Além disso, as investigações apontam que Courchevel pode não ter sido o único destino internacional associado a benefícios pagos pelo banqueiro. Mensagens obtidas pela PF também indicam transferências financeiras recorrentes relacionadas à BRGD, empresa ligada à família de Ciro Nogueira.

