
Uma menina de 4 anos sofreu três choques anafiláticos após uma cobra-coral verdadeira picá-la dentro de casa em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina. Segundo a mãe da criança, Jéssica Schutell, a filha levou cerca de 10 dias para se recuperar totalmente entre internação e tratamento em casa.
O caso aconteceu em 25 de abril. De acordo com a família, o atendimento rápido e a ida imediata ao hospital foram decisivos para salvar a vida da menina.
Irmão confundiu cobra com minhoca
Segundo a mãe, o irmão mais velho encontrou os gatos brincando com a serpente no terreno da residência.
Em seguida, ele pegou o animal pelo rabo e levou para dentro de casa acreditando que fosse uma minhoca. Depois, colocou a cobra sobre as pernas da irmã.
A família suspeita que a menina tenha apertado o animal ao se assustar. Logo depois, a cobra atacou e picou o calcanhar da criança.
“Ela gritou na hora e começou a chorar muito”, relatou a mãe.
Ao perceber que se tratava de uma cobra-coral, o pai capturou o animal em um pote enquanto a mãe pegava os documentos da filha. Logo depois, a família saiu às pressas para o pronto-atendimento mais próximo.
Criança sofreu reação grave ao antídoto
A equipe médica atendeu a menina imediatamente e transferiu a criança de ambulância para um hospital. Além disso, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CIATox/SC) confirmou que a serpente era uma coral-verdadeira.
O primeiro choque anafilático ocorreu durante a aplicação do soro antiofídico. Segundo a mãe, a menina ficou inchada, apresentou dificuldade para respirar e vomitou diversas vezes.
Por causa da gravidade do quadro, os médicos levaram a criança para a ala vermelha do hospital.
“Ela teve reações alérgicas até o fim do soro. Cada crise foi diferente. Em todas, os médicos usaram adrenalina e antialérgicos”, contou Jéssica.
A criança permaneceu internada por três dias. Depois, continuou a recuperação em casa durante mais uma semana até retomar a rotina.
Cobra-coral possui veneno altamente tóxico
Segundo o biólogo Christian Raboch Lempek, da Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente (Fujama), a cobra-coral verdadeira possui o veneno mais potente entre as serpentes brasileiras.
De acordo com o especialista, a toxina atua diretamente no sistema nervoso.
Apesar disso, ele explicou que acidentes com a espécie costumam acontecer apenas quando o animal é machucado ou pressionado, já que a cobra não costuma atacar espontaneamente.
O que fazer em caso de picada de cobra
Especialistas orientam que a vítima procure atendimento médico imediatamente após uma picada de serpente.
Além disso, médicos recomendam:
- não fazer torniquete;
- não cortar nem perfurar o local;
- não tentar sugar o veneno;
- lavar a área com água e sabão;
- tentar identificar a serpente, se possível;
- acionar o Samu (192) ou os Bombeiros (193).
Em Santa Catarina, o CIATox também presta orientações pelo telefone 0800 643 5252.

